Angola 1820-1890
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Em Cacongo os mubires iam aos portos de Cabinda e Boma; no Congo, onde o poder político era há
muito exercido pelos chefes regionais [dos ducados e marquesados sugeridos por D. Manuel I] de
Sonho, Bamba, Bata, Pango, Sundi, Pemba, Uembo e Uando, os dois primeiros eram costeiros e
povoados por mussorongos [Quic. mu sulungu, ‘senhor das canoas’, canoeiro]; encontravam-se
então, porém, já fragmentados em pequenos sobados e foi nestes que se radicaram os mubires que
abasteciam as feitorias de Mbidji (Ambriz, na foz do r. Loje) e Quissembo (Ambrizete): [os
transportadores, naturalmente, não reconheciam a autoridade portuguesa sobre os embarques nestes
portos, e por isso] os impostos lançados pelo governo de Luanda entre 1800 e 1820 causaram
atritos com os capitães de navios. No Congo o soba mussorongo mais forte era o «Marquês de
Mossulo», verdadeiro chefe da rede comercial da região; no Cacongo o mesmo acontecia em Boma.
Cassanje e Matamba: a abertura de uma rota do sal da Matamba à Quiçama é oposta pelo soba
bângala, que se dava o título de ‘Quinguri’ (ki nguli, ‘o leão’) e pretendia ter laços de
parentesco com o mwata Yanvu, gera tensão entre os dois estados. Em 1790 o governo de
Luanda não conseguiu que os naturais do pequeno estado Holo sobre a escarpa oriental do planalto
de Luanda lhe destinassem o tráfico entre a margem direita do r. Cuango e a costa do reino do
Congo, onde «as feitorias inglesas, americanas, espanholas e francesas ofereciam...» mais, e o
Ambriz, então habitado por feitores ingleses. A subsequente perda de prestígio pelo Quinguri –
que não conseguia controlar a interferência, apoiada pelos matambulas, dos Baholo no tráfico –
leva ao contrato directo de Luanda com o Mwata: a feira de Cassanje é abandonada (entre
1804 e 1827), a primeira caravana do chefe Lunda para a costa angolana cruza o Cuango em 1808 e
em 1810 os primeiros comerciantes portugueses visitam a corte do Leste com o fim de ali
impedirem a actividade de contrabandistas; governo do mwata Naweji II (c. 1820 a c. 1850)
teve por base o comércio directo resultante.
Angola: [a incipiente administração civil portuguesa estendia-se, com diferentes graus de
dificuldade, a 4 regiões: Angola (Dongo e Quiçama), palco da actividade militar da Conquista,
onde a influência de Luanda era, naturalmente, maior; Dembos, onde a] hostilidade dos chefes
comarcões que frequentemente impedia as deslocações de Luanda ao norte [o que, dada a
ascendência do rei conguês sobre aqueles chefes montanheses, influenciou em grande parte a
colocação da sede da diocese na costa], não impediu que em teoria a região se encontrasse então
dividida em dois distritos: Dembos, entre os rios Zenza e Dande, com seis sobados,
18. Dos quais os mais importantes eram Ngombe Amuquiama, Cazuangongo e Caculo Cacaenda.
19. Mais importantes: Ambuíla e Nambuangongo.
20. Vide Angola. Notícias de alguns dos distritos de que se compõe esta Província, A.C.U.
2.ª Série, Lisboa 1860, pp. 87 e 93; Sarmento, Alfredo – Os Sertões de África, Lisboa
1880.
21. Huíla – Nh.H. U’Ila, ‘para cima’, sem ‘h’ aspirado; escrito Oíla (o’Ila) no
século XVII.
22. Dias refere aqui Pilarte da Silva – Relatório (?) de 09.12.1770; Homem e Magalhães, Pedro
José Correia de Quevedo (gov. Benguela) – Carta de 16.09.1785, A.H.U. maço 13; Barão de
Moçâmedes – Parecer sobre uma consulta do Conselho Ultramarino, 24.02.1796, A.H.U. maço
6.
23. Noção que contrasta com a tendência histórica para incursões do norte – os imbangalas
diziam guerrear no planalto – buscarem escravos e gado no sul, e com a própria identidade da
língua Nhaneca com os guerreiros de além Cunene os Nkhumbi de ascendência imbangala.
24. Não se faz qualquer referência à evolução da política europeia de tornou este passo
necessário, como se se tratasse de um “desmazelo” das autoridades: perde-se assim o próprio
significado histórico do termo ‘colónia’ e justifica-se o uso do termo errado! Vd. referências
em Dias: J.C. Feo Cardoso de Castelo Branco e Torres – Memórias contendo a biografia do
vice-almirante Luís da Motta Feo e Torres, a História dos governadores e capitães generaes de
Angola desde 1575 até 1825, e a descripção geographica e política dos reinos de Angola e de
Benguella, Paris 1825.
25. Dias refere Mapas estatísticos dos presídios no ano de 1819, A.H.U., Angola, cx. 138,
doc. 17; Mapas de população (re. 820), A.H.U., Angola cx 139; Mapa do reino de Angola,
20.06.1827, Ibid. cx. 156; Mapa estatístico da população de Angola, 1862, ibid. CG;
José Acúrcio das Neves – Considerações políticas e comerciais sobre os descobrimentos e
possessões dos Portugueses em África e Ásia, Lisboa 1830, p. 202; José Joaquim Lopes de
Lima – Ensaios sobre a estatística das possessões portuguesas, Lisboa, Imprensa nacional
1846, vol. III, 4-A; Tito Omboni – Viaggi nell’Africa occidentale, Milão 1845.
26. Opinião a priori, assumindo a desonestidade universal, e geralmente sem recurso a
referências.
27. Ralph Delgado – A Famosa e Histórica Benguela: catálogo dos governadores (1779-1940),
Lisboa 1940; Ibid – A Sul do Cuanza; A. Albuquerque Felner – Angola: Apontamentos
sobre a colonização dos planaltos e litoral do sul de Angola, 3 vols., Lisboa 1940.
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