Angola 1820-1890
Página 3 de 4
Nomeavam-se para chefes de concelho, de preferência, oficiais de 1ª linha, porém o pequeno número dos disponíveis obrigava a que para muitos destes postos – mais numerosos a partir de 1830, consequência da redelimitação administrativa – fossem nomeados chefes de entre os moradores nos comandos das companhias móveis de 2ª linha; os cargos, de grande honra e favor «até finais do século», não eram remunerados: os nomeados proviam à manutenção das guarnição dos seus concelhos, cujas chefias obtinham [por ‘comissão’, semelhantemente à prática contemporânea no quadro militar colonial britânico, mas que a Dias parece] por suborno, e eram vistos, segundo comentários contemporâneos, como notoriamente parciais nos seus cargos administrativos, que desempenhavam [legalmente, nesse caso] em seu proveito
(28) e remuneração[ou seja, ‘em espécie’]. Enquanto a chefia de alguns concelhos era vitalícia (os das barras dos rios Dande, Calumbo e Bengo), doutros mudava com frequência: Ambaca, por exemplo, teve oito chefes entre 1839 e 1841. (29)
28. Relatório do G.G. para o exercício de 01.09.1882 a 01.09.1883 in ‘Angolana’, vol I
pp. 650-651.
29. J. Saraiva da Fonseca – Descripção de uma viagem de Luanda a Ambaca, 1843, A.H.U.,
sala 12, maço 5.
30. Requerimentos<, 1841, A.H.U. (A-J); Junta de Fazenda de Angola –
Ofício 597 de 27.10.1848 da ibid. CG Angola, pasta 14; Anne Stamm – La Societé Créole
à Loanda (1836-1848) in Revue Française d’Histoire de Outre-Mer, LIX (1972), n.º 217, p.
589.
31. GG – Ofício n.º 116 de 28.10.1339, A.H.U., CG pasta 2-C.
32. Largas margens de variação.
33. A crítica subentendida é inesperada, já que se dirige a um censo – cujo objecto, presume-se,
seria precisamente o levantamento das diferentes componentes da população, com interesse
administrativo.
34. Na verdade os termos eram correntes no Português em geral, e não só na ‘colónia’ – que ainda
nem existia; o segundo corre ainda hoje e é de origem francesa.
35. Segundo o mito tão português da ‘árvore das patacas’ (nas áfricas ficava-se rico!).
36. Afirmação a priori, já que Dias não dá números de ‘degredados’, nem percentagens dos
que já haviam cumprido pena e se empregavam legalmente nas actividades disponíveis na província;
Dias refere o exaltado Avelino Dias, A.H.U. CG, cx. de 1823. (Os historiadores australianos não
sofrem destes pruridos quanto à contribuição dos seus antepassados).
37. Os melhores comandantes militares fazem guerras contra alvos definidos, e quanto mais
pequenos melhor – por exemplo um “soba alevantado” – e nunca contra “sociedades” inteiras: outra
afirmação emocional. 38. Câmara dos Deputados – Ofício n.º 404 de 03.06.1856, A.H.U.,
Angola CG, cx. 23; GG - Ofício n.º 97 de 23.07.1863, ibid, cx. 26 e Ofício n.º 38 de
02.10.1863, cx. 32.
38. Este extenso libelo não se apoia em referências a quaisquer investigações sobre o
assunto, e deve considerar-se também, portanto, um lugar comum a priori.
39. GG – Ofício n.º 93A de 04.06.1860, A.H.U. Angola cx. 26.
40. In G. Tams – Visita ás possessões portuguesas na Costa Ocidental de África, Porto
1850, vol. I, p. 215.
41. Médico italiano, degredado político em Angola, que exercia as funções de almoxarife
provincial na década de 1820; o quarto e último esposo de D. Ana foi o major de 1.ª linha Luís
António de Miranda, comandante do batalhão de Luanda.
42. O domínio do quimbundo como causa do sincretismo? 14. Dias, J. R. – A sociedade colonial
de Angola e o liberalismo português (c. 1820-1850) in ‘O Liberalismo na Península Ibérica na
Primeira Metade do Século XIX’, Centro de Estudos de História Contemporânea Portuguesa, Lisboa
1981, vol II, p. 271.
| [ Anterior ] [ História de Angola ] [ Página Principal ] [ Próxima ] |