As Colónias do Namibe
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1605 – Neste ano da ‘conspiração da pólvora’ – o atentado católico contra o Parlamento
inglês – o rei Tiago de Inglaterra (James I), resolve reconciliar as facções religiosas do país
por meio de uma nova tradução da Bíblia, e é a John Layfield, colono na América retornado à
pátria, que os editores reais confiam a tradução do Livro do Génese da famosa edição dos textos
sagrados: o pastor protestante descreve o Paraíso à semelhança das Caraíbas, onde eram então
evidentes os efeitos desastrosos da economia colonial da potência contemporânea mais forte do
Mundo, a católica Espanha, sobre as populações ameríndias.
1615 – Com a autonomização do governo do reino de Benguela, por provisão de 14.02 de
Filipe II, abre-se um novo porto comercial na costa a sul do rio Zaire, depois do de Luanda e
dos vários do rio Cuanza. A opinião internacional sobre a escravatura não é, porém, o que fora
em fins do século XV e o antigo governador da administração espanhola de Angola – o mesmo
Capitão-general que demonstrara não haver prata em Cambambe – é nomeado donatário do Reino de
Benguela, que parece ter fama de conter minas de cobre, minério de que, de resto, a Espanha não
carece.
1617 – O antigo capitão-general, e agora donatário, Manuel Cerveira Pereira, lança ferro
na baía da Torre a 17.05. A partir de então, diz-nos Cadornega, “este Reino de Benguella antes
desta terra ser tomada pello Hollandez, teve sobre si governo separado, onde havia feituria e
officiaes reaes, que davão despacho ás peças deste Reino, e assim despachadas vinhão para esta
cidade de São Paulo da Assumpção, ficando naquelle Reino os direitos dellas, para a paga e
sustento da infantaria, e mais ordinarias...” Benguela nunca se evidenciaria como porto
exportador de cobre.
1627 – O capitão-mor Lopo Soares Lasso é nomeado governador de Benguela por morte de
Cerveira Pereira no ano anterior, e quando o capitão-geral de Angola, Fernão de Sousa
(1624-1630), c. 1626, pensa em encerrar o presídio – de onde não só nunca se exportara cobre mas
onde poucos escravos se resgatavam – Lasso opôs-se. Terá sido na subsequente tentativa de
estabelecer relações comerciais com os chefes tribais do planalto de Benguela que o capitão-mor
descobriu a verdadeira vocação do presídio de S. Filipe: dar acesso aos territórios entre o rio
Coporolo e o cabo da Boa Esperança, que todos então eram considerados parte do ‘reino de Angola’.
Lasso funda Caconda-a-Velha e terá estabelecido, provavelmente ainda antes do fim do mandato do
Capitão-general em 1630, os primeiros contactos com o soba ‘Hila’
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1. Nha.Hum. yila, ‘veia’, ‘vida’, por onde o’yila e ‘Oíla’, claramente sem
‘h’ aspirado, dos escritores portugueses coevos.
2. Umb. o’lupito, a ‘porta’ por
entrava o mar, entre a cuspe arenosa e a costa que caracteriza o lugar.
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