As Colónias do Namibe
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1.3. As raizes do movimento abolicionista
1670 – Publicação de Christian Directory, em que o pregador Robert Baxter, daqueles
Protestantes que nem com o anglicanismo se conformavam – por isso o epíteto de ‘inconformista’
que lhes davam – ataca vigorosamente a escravatura.
1680 – Outra obra crítica da prática da escravatura é a do clérigo anglicano Morgan
Goodwin, que retrata em 1680 os horrores do tratamento dos escravos na colónia britânica de
Barbados.
1688-1690 – Na novela Oroonoko (1688) o escritor Aphra Behn descreve o tráfico nas
Antilhas britânicas; o Tratado Sobre o Governo Civil (1690), do filósofo escocês John
Locke, condena a escravatura.
1700 – Na França, o nobre Carlos Luís de Secondat, barão de La Brède e respeitadíssimo
marquês de Montesquieu, pondera no seu Espírito das Leis, que “a escravatura é tão
contrária à lei civil como está em oposição à lei natural: que espécie de estado civil poderia
impedir um escravo de fugir?” O célebre jurista havia passado um tempo na Inglaterra e sem dúvida
mantinha contactos com anti-esclavagistas ingleses.
1766 – Os devotos e circunspectos agricultores da feitoria independente da Pensilvânia
libertam todos os seus escravos: pouco depois começam a aparecer grupos abolicionistas na Europa.
1772 – Os colonos da Virgínia debalde peticionam à Coroa britânica a libertação dos seus
escravos: é tristemente irónico que os seus descendentes viessem a ser, menos de cem anos mais
tarde e quando já americanos independentes, o esteio da política esclavagista dos estados
meridionais da América do norte.
1778 – Um pedido dos comerciantes de Bristol e Liverpool – chocados com o mau nome que o
transbordo dos escravos para as Antilhas dava aos dois grandes portos ingleses – para que Coroa
proibisse as escalas nas Ilhas britânicas do descomunal tráfico da Slave Coast
1784 – A resistência dos colonos norte americanos de Jorge Washington sobre o exército
expedicionário inglês tem um desfecho inesperado a norte da foz do rio Zaire: numa pausa nas
operações contra a marinha britânica, uma frota francesa sob o comando do almirante Bernado de
Marigny vem a Molembo – hoje Cabinda – e bombardeia o forte que o Capitão-general de Angola ali
mandara o major de engenharia Furtado construir.
1785 – Em consequência do bombardeamento do forte de Molembo, o Capitão-general, receoso
de que os Franceses planeassem apoderar-se da rota atlântica do Brasil – que, sob os ventos
predominantes, trazia os veleiros directamente à angra do cabo Negro, assim chamado por Diogo
Cão – dá ao major Luis Cândido Cordeiro Pinheiro Furtado o comando de uma expedição por mar e
terra à estratégica angra, onde tencionaria fundar um presídio. O major, a quem o capitão-mor
de Benguela não parece ter dado o auxílio que devia, beneficia porém do apoio do abastado
comerciante e sertanejo da vila, Gregório José Mendes, habilmente aliciado pelo Capitão-general,
e os dois levam a bom termo uma das expedições mais interessantes da história ultramarina
portuguesa: Furtado por mar, a remos, em grande parte do reconhecimento pormenorisado da costa,
e Mendes a pé, com cerca de mil empregados seus, através das terras áriadas a norte do deserto
do Namib. Reúnem-se os dois comandantes a 03.08 na angra, que Furtado crisma com o nome de
Moçâmedes – uma vila do distrito de Viseu, Portugal, de que o Capitão-general era barão – mais
mnemónico que o nome próprio do precavido governador, D. José de Almeida e Vasconcelos Soveral
de Carvalho da Maia Soares de Albergaria.
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