O Cabo Negro
Um facto inegável que me tem ajudado a enriquecer este trabalho é a contribuição que recebo da
família, de amigos, de e-amigos...
São os moçamedenses que mais têm colaborado. Reconhecidamente orgulhosos da sua terra, jamais
perdem a oportunidade de dá-la a conhecer.... e está correcto! É quase uma obrigação de quem
provém de uma cidade que tem por seus eternos companheiros, de um lado o mais antigo deserto do
mundo, o Deserto do Namibe, do outro o mar, o Atlântico Sul...
|
A frase faz parte do relato que me foi feito por Manuel João de Pimentel Teixeira sobre a sua
ida ao Cabo Negro, no Sul de Angola, Província do Namibe, no passado mês de Julho deste ano
(2003). O que me contou assim como as fotografias que me enviou do local sensibilizaram-me:
foi-me dado conhecer, ainda que virtualmente, um local que é História. Chocou-me ver a
destruição a que o símbolo que o Homem lá instalou há mais de 5 séculos tinha mais uma vez sido
objecto. O símbolo que não diz respeito somente a Angola e a Portugal. Porque faz parte de
feitos que mudaram o mundo. É, portanto, um símbolo que ultrapassa fronteiras, atravessa o
Tempo.
|
Estava muito cacimbo, a estrada de asfalto molhada e escorregadia. Uma viagem agradável
e serena. O ar limpo e húmido. Pouco vento. Nas praias que cercam o cabo e nas suas
proximidades, tudo vazio, sem vivalma.
Subimos ao Cabo Negro. É uma marca inconfundível. Visto de longe, a Norte, percorrendo a
estrada batida de terra, depois de deixar o asfalto, na direcção do mar, assemelha-se a um barco
de pedra, enorme, pronto a entrar no oceano, a meio de praias rasas, solitário.
O carro avança com calma, até um ponto a quase 3/4 da altura das rochas, pela areia. Chegámos.
Dirigimo-nos pelo topo, a pé, na direcção do local do Padrão, bem acima do mar, no pequeno
"plateau", ponto mais elevado, mas sem grandes socalcos.
Ao longe, mais a norte, a Rocha Magalhães, com as salinas que foram as mais produtivas de Angola.
| [ Anterior ] |
| [ Próxima ] |
| [ Página Principal ] [ Crónicas ] |