O Cabo Negro

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Um facto inegável que me tem ajudado a enriquecer este trabalho é a contribuição que recebo da família, de amigos, de e-amigos...

São os moçamedenses que mais têm colaborado. Reconhecidamente orgulhosos da sua terra, jamais perdem a oportunidade de dá-la a conhecer.... e está correcto! É quase uma obrigação de quem provém de uma cidade que tem por seus eternos companheiros, de um lado o mais antigo deserto do mundo, o Deserto do Namibe, do outro o mar, o Atlântico Sul...




“Um canto da nossa terra tão desconhecido e com tanta História.”


A frase faz parte do relato que me foi feito por Manuel João de Pimentel Teixeira sobre a sua ida ao Cabo Negro, no Sul de Angola, Província do Namibe, no passado mês de Julho deste ano (2003). O que me contou assim como as fotografias que me enviou do local sensibilizaram-me: foi-me dado conhecer, ainda que virtualmente, um local que é História. Chocou-me ver a destruição a que o símbolo que o Homem lá instalou há mais de 5 séculos tinha mais uma vez sido objecto. O símbolo que não diz respeito somente a Angola e a Portugal. Porque faz parte de feitos que mudaram o mundo. É, portanto, um símbolo que ultrapassa fronteiras, atravessa o Tempo.

Em Angola, a terra que nos viu nascer, passados que estão os tempos de ânimos exacerbados, de lutas fratricidas, deve também ter-se em conta que nem tudo o foi feito estava errado, nem tudo o que se faz é correcto. Assim foi e será sempre porque o Homem não é perfeito. Mas Deus concedeu-lhe a capacidade de discernir, de se sensibilizar. Se quiser, saberá que, se se aproveitar o que foi/é bom, deixando que a História faça o seu julgamento, o povo será o grande beneficiado, a nação será engrandecida.

E porque assim sinto e vejo “as coisas”, querendo partilhar as imagens e a mensagem do Cabo Negro, pedi e obtive a anuência do autor para aqui reproduzir o que me descreveu.

Importa, também, que recordemos o que a História nos relata sobre este local. As páginas finais desta crónica disso darão conta. Basear-me-ei na obra “O Distrito de Moçâmedes”, da autoria do Dr. Manuel Júlio de Mendonça Torres, edição da Agência-Geral do Ultramar, Lisboa, 1974 (reprodução fac-similada da edição de 1950). São dois volumes considerados o melhor e mais completo estudo sobre a história do Distrito de Moçâmedes, hoje Namibe.

Deve, todavia, ter-se em conta que esse escrito reflecte o pensamento da época, o sentimento de nação, de patriotismo, de posse de terra. Como já uma vez escrevi, as ideias e os ideais alteraram-se, a História re-escreveu-se. Não pode, todavia, modificar-se o que foi escrito e que, independentemente dos ideais de cada um, transmite ensinamentos preciosos.

Os dois relatos, infelizmente, não se completam, mas é preciso que se tome conhecimento de ambos. Na esperança de que se acordem consciências. Para que este símbolo possa um dia ser reconstruído.

Porque o Padrão do Cabo Negro tem inegavelmente o seu lugar na História da Humanidade!





Visita ao Cabo Negro - 27 de Julho de 2003


Estava muito cacimbo, a estrada de asfalto molhada e escorregadia. Uma viagem agradável e serena. O ar limpo e húmido. Pouco vento. Nas praias que cercam o cabo e nas suas proximidades, tudo vazio, sem vivalma.

Subimos ao Cabo Negro. É uma marca inconfundível. Visto de longe, a Norte, percorrendo a estrada batida de terra, depois de deixar o asfalto, na direcção do mar, assemelha-se a um barco de pedra, enorme, pronto a entrar no oceano, a meio de praias rasas, solitário.

O carro avança com calma, até um ponto a quase 3/4 da altura das rochas, pela areia. Chegámos. Dirigimo-nos pelo topo, a pé, na direcção do local do Padrão, bem acima do mar, no pequeno "plateau", ponto mais elevado, mas sem grandes socalcos.

Ao longe, mais a norte, a Rocha Magalhães, com as salinas que foram as mais produtivas de Angola.

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