A Cidade Mãe
e a sua Província


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O Lobito e o Umbigo do Mundo

por João de Jesus Pires, eng. (*)

in “Boletim da Câmara Municipal do Lobito” – Secção “Divulgação”

Segundo Semestre 1965


Lobito ou antes Lubito com U é o nome da cidade de Angola que tem sido considerada como a sala de visitas desta Província mas que é antes a Porta de Acesso ao Interior do Planalto Central através desse corredor onde se encontra estabelecido o Caminho de Ferro de Benguela. Por outro lado, por vezes, até tem sido chamada a cidade sem história, mas parece não ser assim dado que o seu nome encerra uma raiz etimológica com um significado linguístico quase universal.

Mas ainda, também à semelhança do que se verificou mais para o sul, ou seja na região de Moçâmedes, através da qual se efectuava desde a mais remota antiguidade o acesso às alturas da Chela, ou seja da Hu-ila, com o significado de para-cima, atravessando a bacia fluvial do Giraúl, que, na expressão local, é apresentado como Njila-H’ulo, que traduz o significado do caminho do céu, ou das regiões muito elevadas.

O acesso a estas alturas, através da bacia do Giraúl, era o único caminho acessível às altas regiões da Chela, dada a aridez semi-desértica dos contrafortes desta serra, os quais são uma extensão norte das formações do Iona.

Várias são as opiniões sobre a etimologia do nome que deu origem à cidade do Lobito, dado que até 1920 se escrevia Lubito e que julgamos mais de acordo com a sua verdadeira origem.

Assim, tendo sido atribuída a sua origem ao étimo PITO , com o significado na língua Bunda de porta ou passagem ou entrada, mas isto nesta língua é expresso pelo termo EPITO. Ou ainda com a expressão OLOPITO com o significado de passagem difícil ou proibida ou ainda que não se pode passar, como é expresso pelos termos OLUPITO, LUHAPITA.

O que, de certo modo, estaria em relação com a história recente da região do Lobito e aplicável aos tempos em que os traficantes e negreiros procuravam esta “porta” para a saída clandestina das mercadorias fiscalizadas, as quais só tinham livre trânsito em Benguela e na Catumbela.

Mas convém frisar que os povos naturais africanos sempre aplicaram uma toponímia, nas diferentes regiões, de acordo com as suas condições de vida naturais, os seus recursos ou a predominância de quaisquer factores ou elementos, tanto espontâneos, como tradicionais, ali existentes.

Assim, quem conhece a maneira de expressão dos povos desta Província, verifica que resta uma relação nítida entre os nomes aplicados e as condições topológicas e tradicionais das várias regiões.

Por isso mesmo, não podemos deixar de reconhecer a necessidade de não alterar os nomes de várias regiões, dado que eles encerram curiosas e valiosíssimas tradições tanto históricas como etnológicas, como ainda, por vezes, até condições económicas que, por esta razão, não devem ser destruídas.

Deste modo, por exemplo, é sempre aplicado o antigo prefixo LU, em todas as regiões onde se verifica a presença das águas, alagamentos, ilhas, braços de rios, etc., como nos nomes das regiões de LU-ANDA, LU-CHASES, LU-NDA, LU-ENA, LU-IANA, LU-CALA, LU-FICO, etc.. Este prefixo é quase sempre seguido da estilização ou simplificação ortográfica do significado complementar das características da região.

Assim, para o caso do Lobito, o respectivo nome seria de atribuir ao prefixo LU e ao étimo EPITO, que depois de comprimido deu Lu-pito, com o significado de porta de mar ou acesso a acolhedor para quem vem do mar, expressando bem as condições topológicas da sua magnífica baía sempre protegida e acolhedora.

Note-se contudo que este prefixo LU foi primitivamente uma das formas do plural nas línguas Bantas, mas sempre usado nos nomes das regiões alagadas ou das bacias dos rios e de preferência na formação dos substantivos relacionados com essas condições topológicas.

Do mesmo modo poderemos aplicar esta regra para definir o étimo que deu origem ao nome de Luanda ou seja LU-ANDO, primitivo nome da ilha de Luanda, onde aparece este prefixo exprimindo as condições topológicas da restinga rodeada pelo mar e mais o étimo comprimido ANDO referente a NDANDU, ou ainda: LU (ND) ANDU == LU-ANDU e que depois de aportuguesado no feminino, por ser ilha, deu Luanda.

Ora NDANDU tem o significado de mercadorias, valores, objectos de comércio alusivo aos rendimentos retirados desta ilha, tanto de peixe pescado e depois vendido para o interior como ainda pelos pequenos búzios (CAURIS) ali colhidos e que constituíam a moeda corrente no antigo Reino do Congo e em todo o interior do continente africano. Estes cauris eram normalmente conhecidos com o nome de NJIMBO ou ZIMBO.

Por aqui vemos que os povos ambundos desta Província moldavam a pronúncia da toponímia das várias regiões ao seu modo de falar, eliminando alguns sons sempre que estes não alterassem o significado e o sentido do vocábulo restante. Com esta supressão e adição do respectivo prefixo característico tornam a respectiva toponímia simples, expressiva e completa em relação às condições locais.

Mas agora que já fazemos uma ideia acerca da origem do étimo donde nasceu o nome da cidade do Lobito, para verificarmos a universalidade deste étimo, sempre com o mesmo significado, vamos dar um salto, atravessando o Oceano Atlântico e o continente sul-americano até à Polinésia Oriental, para atingirmos o Umbigo do Mundo, também conhecido como a Ilha da Páscoa.

Esta ilha tem, além disso, outra designação, a de RAPA NUI, que se pode escrever ainda RAPA(E) NUI e que antigamente devia ser RAPA (ELUI), com o significado de RAPA - grande – visto se diferençar de outra ilha mais pequena situada a grande distância, a oeste da Ilha da Páscoa, e já relativamente próxima do continente australiano. Esta ilha mais pequena é conhecida por RAPA-ITI ou RAPA (TITI), com o significado de RAPA – pequena.

É interessante acusar que tanto o termo ELUI, correspondente a grande, como o termo TITI - pequeno – apresentam uma identidade de significado com termos idênticos existentes nas línguas Bundas. Assim, ELUI será o equivalente a ILU - céu, alturas, grande, divino, o termo TITI, ao existente nesta mesma língua, com o significado de estreito, pequeno, delgado.

Sem dúvida, estas mesmas raízes têm relação com as línguas peruanas das regiões elevadas dos Andes, cuja cultura emigra da América para a Polinésia Ocidental conforme nos descreve Thor Heyerdahl, tanto na sua obra AKU-AKU ( segredo da Ilha da Páscoa), como na expedição da KON-TIKI.

Segundo este autor, os naturais da Ilha da Páscoa sempre conheceram esta ilha, através das suas lendas muito antigas com a designação de T (E) PITO O TE (H) ENUA, com o significado de Umbigo do Mundo, ou seja, a porta de entrada do mundo, ou ainda a cavidade, Órbita que vê o Céu, ou ainda como a fronteira do Céu. Portanto até perdido nos longínquos mares do Pacífico vamos encontrar na Ilha da Páscoa o étimo PITO, com significado de entrada, passagem, porta, cavidade e até de umbigo, com o sentido de região central, idêntico ao significado da raiz Bunda (africana).

Mas, para vermos que não se trata de uma coincidência aleatória, encontramos também o termo ENUA equivalente a ELUA ou ELU ou ILU, com o significado de elevado, supremo, céu e até de divino, conforme é frequente toponímia de Angola, e como já referimos em NJILA – (H)ULO e que, como dissemos, tem o significado de Caminho do Céu. Ou ainda em TCHITUNDO – (H)ULO, no Deserto de Moçâmedes, com o significado de Monte de Deus, onde existem curiosas gravuras rupestres.

Este étimo ILO ou ULO corresponde ao equivalente semita EL, que depois deu origem aos étimos ILU ou ALA, usual nas línguas Semitas, Camitas e Bundas, aparecendo mesmo até nas línguas Indo-Europeia, como por exemplo, em CO-ELU, em latim céu, cielo em espanhol, ciel em francês e celeste em português.

Mas este significado de Umbigo do Mundo ou Umbigo do Céu, segundo a expressão polinésia, de origem linguística Malaia, será antes MATA-KITE-RANI, expressão pela qual é conhecida a Ilha da Páscoa, que neste dialecto tem o significado de o Olho de onde nasce o Céu ou o Mundo, com o mesmo significado de umbigo do mundo, por vezes simplificado pela expressão de MATA-RANI.

Ora, analisando o dialecto Malaio, o étimo MATA tem o significado de olho, órbita, centro, etc.. O étimo RANI é uma deformação alterada do étimo malaio LA’NIT, com o significado de Supremo, Divino, Céu. Mas é interessante frisar a identidade entre o termo KITE, de origem malaia, que faz parte do nome atribuído à Ilha de Páscoa, o qual, com o significado de nascer, dar à luz, tem na língua Bunda o equivalente de KITA, com o mesmo significado de nascer, dar à luz.

E ainda mais surpreendidos ficamos quando verificamos que na costa do Perú existe um antiquíssima vila com o nome de MATA-RANI cujo significado é idêntico ao da língua Malaia, Olho do Céu, e a qual se encontra situada um pouco abaixo do paralelo 16.

Mas depois do que já observámos, não nos podemos surpreender ao encontrar na costa norte do Perú uma vila com o nome de LOBITOS e até em plenos Andes Bolivianos uma pequena cidade situada a mais de 3.000 metros, com o nome de Berenguela.

Também com a denominação de Umbigo do Mundo existe no Perú, na região andina, uma montanha sagrada junto do tradicional Lago Titicaca, perto da qual passa a estrada que dá acesso às ruínas da cidade proto-histórica de Tiahuanaco. A região é habitada pelos povos de línguas Quichua e Aimara.

Estas ruínas famosas pelos monumentos ali encontrados, entre os quais se destaca um monolito, a que é atribuído o nome de Porta do Sol, pertence a uma cultura anterior à ocupação do povo Inca, com características étnicas e culturais diferentes da deste.

Assim, quando se chega à estação de caminho de ferro que serve as ruínas de Tihuanaco, encontra-se a seguinte tabuleta: “Tihuanaco – km 21 – Altura 3.825 metros – Forjador de Civilizações”.

Esta antiga cidade, distante da capital da Bolívia – La Paz, cerca de 90 quilómetros, é conhecida como o berço da civilização americana.

Segundo uma lenda aimara, pode-se fazer ideia da sua antiguidade pelo que esta diz: “Antes que as estrelas brilhassem no firmamento, já Tihuanaco existia.”

Em primeiro lugar, diremos que a palavra “quichua”, que tem o significado de cume ou região montanhosa ou alturas, é o nome dado quer à língua falada ou aos povos que habitam a região cimeira andina, isto é, a região onde o Deus-Sol nasce sobre as montanhas. Mas ainda vamos encontrar na língua Bunda o termo QUI-ZUA, com o significado também de dia, cume de serra ou lugar onde se vê nascer o sol sobre as montanhas. Do mesmo modo, no dialecto Suahili, da costa oriental africana, temos o termos QUICHUA, com o significado de cabeça ou cume ou topo.

Em quichua, o Deus-Sol tem a designação de INTI. Na língua Bunda, o Sol é expresso pelo termo Kumbi == KU – IMBI. No dialecto Ganguela, o Sol é IMBI o que, sem dúvida, tem identidade com o INTI - Americano.

Analisando melhor este étimo QUI-ZUA, eliminando o prefixo do substantivo, ficará apenas ZUA, que podemos assimilar às raízes indo-europeias JUA, que deu nas línguas latinas JOUR, JORNO, GIORNO e até JORNAL em português.

Mas voltemos de novo, ao nome da antiga cidade de Tiahuanaco, com o significado segundo a tradição, de Criação do Mundo ou, como dissemos, de Umbigo do Mundo. Este nome, TIA-HUANACO, tem na língua Bunda os étimos equivalentes: TIA, com o significado de luz, claridade, dia; e H’UANECA com o significado de berço, nascença, criação. Segundo a interpretação bunda, seria o “nascimento da luz”, que podemos interpretar evidentemente por Nascimento do Mundo.

Não são, porém, só estas equivalências que podiam ser tomadas como coincidências, mas antes podemos afirmar que existe certa identidade entre os termos das línguas Americanas e as línguas Bunda e Semita.

Assim, por exemplo, COLLA, o fruto sagrado, da árvore conhecida por colleira, de origem sul-americana, e que serve como alimento estimulante, tem um outro étimo equivalente, KOLA, com o mesmo significado de sagrado, na língua Bunda.

Mas até o próprio nome de PERU, que por vezes se escreveu PIRU ou BIRU, referindo-se à região alcantilada andina, parece ter um equivalente na língua Bunda, com o termo KU-ILU, que por vezes também se pronuncia PIRU, com o significado de elevar, levantar, empurrar, para cima, para o ar.

Voltando ao étimo que deu origem a estas nossas divagações, vejamos a sua relação com a capital do Equador, quem tem actualmente o nome de QUITO. Toda a região andina ao sul desta capital é fortemente acidentada, com vales profundos e cuja dificuldade de aproveitamento das encostas tem que ser suprida pelos trabalhos de terraceamento.

Ali restam os fundos dos vales, onde as chuvas torrenciais impedem o seu aproveitamento.

Deste modo, só para o norte desta capital é que se verifica a transição dos alcantilados dos Andes para os extensos e férteis planaltos do norte do Equador e da Colômbia, pelo que esta cidade tem a tradição de ser a Porta de Acesso a essas exuberantes regiões planálticas equatoriais.

Assim, o seu verdadeiro nome QUITO igual a KITO é a tradução do étimo PITO com o significado universal de Porta, Acesso ou Passagem.

Ainda sobre este étimo PITO, vamos encontrar o equivalente na língua Malaia, com a forma PINTU, com o significado também de porta, passagem ou vedação. No dialecto Suahili, existe a raiz PITO, com o mesmo significado e identicamente, PITA como raiz do verbo passar.

Continuando, agora encontramos no dialecto Urdu das línguas industânicas, a raiz P (H) ATAK, com o mesmo significado.

Quanto às línguas europeias, vamos encontrar nas línguas anglo-saxónicas a raiz PIT, referente a caverna, buraco, passagem apertada.

Nas línguas latinas, encontramos em português o termo PITO referente a cachimbo e PITADA, referente à porção de rapé que se colocava na cavidade nasal e até por vezes na gíria popular a palavra PITO, referente a determinada parte do corpo feminino que, pela sua função, é também passagem que tem de ser forçada.

Ainda a palavra APITO, que é realmente um objecto onde o ar forçado através de um orifício produz um determinado som. Em espanhol, o apito é expresso por PITO.

Em grego, vamos encontrar também a raiz PITOS como depósito, pipa, tina, banheiro ou vaso, tudo quanto tenha uma abertura para receber qualquer líquido ou outro material.

Ainda referindo-nos ao povo grego e à sua mitologia, vamos encontrar nas encostas do Monte Parnaso o lugar de Delfos, que era considerado por estes como o Centro do Mundo, ou seja, o seu Umbigo do Mundo.

Era ali, que no ambiente misterioso de uma caverna, estava estabelecido um santuário fundamental, onde se obtinham os oráculos de Apolo, proferidos pelas sacerdotisas conhecidas pela designação de PITIAS ou PITONISAS, onde, estas mergulhadas num vapor ou gazes emanados dessa caverna profunda, respondiam às perguntas que lhes eram feitas.

Assim, este santuário dedicado a Apolo, era-lhe atribuído por ter morto a serpente mitológica PITON, que habitava nestas cavernas do Monte Parnaso. O próprio Apolo era conhecido pelo nome de PITIENSE. Portanto, em resumo, podemos dizer que a raiz PITO está relacionada com o significado de caverna, abismo ou abertura profunda, tanto na rocha como no solo, através das quais se exalam vapores ou gazes, com o significado de certo modo paralelo ao de APITO

Nas línguas semitas, vamos encontrar em hebraico o termo P (H) ÊTÂH, com significado equivalente ao étimo PITO de abertura, passagem.

Ainda acerca do Umbigo do Mundo, vejamos o que diz a Bíblia, em Ezequiel 38:12, no respectivo versículo:

“Um povo, que foi congregado do meio das gentes, que começou a estar de posse, e a ser habitador do Umbigo da Terra.”

Não há duvida que esta expressão é bem significativa e refere-se, para cada povo, que possui uma cultura, a noção da sua superioridade em relação aos outros mais atrazados.

Do mesmo modo, a Bíblia expressa essa noção atribuída ao povo hebreu, quando se refere nesse versículo à profecia contra GOG, que significa os povos vizinhos menos cultos.

Também na Bíblia, em Êxodo 1:11, se diz que os israelitas edificaram para o Faraó as cidades das tentas PITON e RAMESSES.

Nesta cidade de PITON, os israelitas sofreram odiosa escravidão, pelo que ali era o local de entrada no delta do Rio Nilo, para quem viesse do Oriente. Ao norte, estava o prolongamento do Deserto de Negev e para o sul estava o Mar dos Canaviais, com os seus extensos pântanos que ligam com o Mar Vermelho.

Portanto, não há dúvida que a cidade de PITON era uma porta de fronteira, de entrada no Egipto, e que traduzida na língua Nilótica, tem a forma PERATUM, que aparece em hieróglifos da época.

Por último, vamos encontrar o étimo PITO no nome de um navegador marselhês que, perfurando a vigilância dos cartagineses, conseguiu passar as portas do Estreito de Gibraltar, dirigindo-se ao norte da Europa, na procura do caminho do estanho, cujo monopólio estava centralizado pelos fenícios, em Cadiz.

Este caso deu-se no século III a.C. E este navegador percorreu a Bretanha, a Cornualha, o Círculo Polar, na costa norte da Noruega onde, como referiu, “o Sol apenas se ocultava uma ou duas horas por noite.” Pelo facto de ter conseguido forçar a porta do Estreito de Gibraltar, foi-lhe atribuído o cognome de PITEAS.

Atravez desta divagação, ficou demonstrada a universalidade do étimo que deu origem à Cidade do Lobito, mostrando, ao mesmo tempo, um conceito generalizado linguístico, quase universal, cujo significado e verdadeiro sentindo não podemos sequer alcançar, dado que ele é tão remoto que a sua interpretação produz autêntica vertigem.

Só com estudos mais profundos será possível alcançar o seu verdadeiro significado. Pode ser que este apontamento tenha algum mérito, pelo facto de poder ser utilizado por alguém que queira dedicar-se a estes apaixonantes estudos. Com isso já o autor ficaria satisfeito, por ter contribuído para o conhecimento da Humanidade.


(*)
Respeitou-se a ortografia da época.

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