O Morro Sagrado
...ou Morro do Tchitundo-Hulo ou Tchidundulo, local venerado pelos Mucuisses,
Mucuissos ou Cuisses, como se diz correntemente em português (o correcto, nesta língua, é
Cuissis).
Os Ovakwisi, nome correcto na língua nativa, pertencem ao grupo dos Povos Não Bantos e são um dos
povos do Deserto do Namibe.
O que transcrevo abaixo é uma condensação de “As Gravuras de Tchitundo-Hulo”, de J. Camarate
França, bem como do relato feito pelo aluno Júlio Alves Victor, “Uma visita de estudo dos alunos
da Escola Industrial e Comercial Infante D. Henrique, de Moçâmedes”. Foi-me cedido pelo meu
amigo Orlando Antunes Salvador, um moçamedense orgulhoso da sua terra e que me tem ajudado a
divulgá-la.
O texto está inserido no programa das II Grandes Festas do Mar, elaborado por Fernando H. Chaves
(F. Chaves), intitulado “Moçâmedes Esta Desconhecida”, com documentação fotográfica sobre
a evolução de Moçâmedes desde 1894 até 1963, nas áreas turística, etnográfica e arqueológica, com
a data de 22 de Março de 1963.
Estes textos servem também, a meu ver, para chamar a atenção de todos para a riqueza de Angola,
em tantos e variados aspectos!
Quanto a mim, como já aconteceu outras vezes, assalta-me a tristeza... Um sentimento
de pena misturado com dor... Com a saída de Angola e a consequente luta pela sobrevivência,
contra ventos e marés, deixei de aprender, de desenvolver o conhecimento acerca de tantas
matérias fascinantes que dizem respeito a Angola, que tanto amo!
O que de um modo simples se transcreve abaixo acordou em mim a vontade de averiguar sobre o
assunto e tentar, com o tempo, apresentar um trabalho mais completo sobre o Morro Sagrado dos
Mucuissos (esta é a palavra que utilizava, quando residi em Moçâmedes e me referia ao povo
Ovakwisi).
Constitui, também, preocupação o facto de se ter mencionado, já por altura da visita dos alunos
da Escola Industrial e Comercial de Moçâmedes, obviamente anterior a 1963, que o estado de
conservação daquele fantástico conjunto de gravuras rupestres era muito problemático e requeria
medidas urgentes para se evitar um dano maior.
Na época, a consciência do valor de tais conjuntos arqueológicos não tinha a dimensão nem tão
pouco a força política que actualmente se impõe.
Vejam-se os destinos diferentes das pinturas rupestres da Amieira (Nisa, Portalegre, Portugal),
no Rio Tejo. Na época, ninguém deu valor àquele património e, portanto, nada se fez para evitar
que o conjunto de gravuras rupestres fosse submerso nas águas da Barragem de Fratel, que foi
concluída em 1973. Já, na década de 80, as pinturas rupestres do Vale do Côa, no Norte de
Portugal, foram renhidamente defendidas e ganhou-se, como é sabido, a batalha pela sua
conservação.
Que os homens que têm sobre os seus ombros a responsabilidade das decisões saibam olhar para o
Tchitundulo e dar-lhe a atenção que merece, como valioso património de Angola, quiçá da
Humanidade.
Os mais curiosos encontrarão no rodapé a indicação de alguma bibliografia, que poderá ajudar a
ter-se uma ideia da Pré-História de Angola, naquela região. A biblioteca virtual da Universidade
de Coimbra é uma boa fonte de informações adicionais.
Início de Citação
São as gravuras rupestres do “Morro Sagrado dos Mucuisses” um dos mais belos conjuntos
rupestres da Pré-História de Angola.
Encontram-se num morro granítico, chamado Morro do Tchitundo-Hulo ou Tchitundulo, situado em
Capolopopo, a cerca de 137 km, para leste da cidade de Moçâmedes, no deserto do mesmo nome, na
sua faixa semi-desértica, área do posto administrativo do Virei e nas fronteiras da concessão do
Karacul, um pouco ao Sul do Paralelo de Porto Alexandre.
Estão estas gravuras em riscos de desaparecer, pelo empolamento, por acções térmicas, de uma
camada superficial que depois se fragmenta.
A interpretação e conservação das pinturas do Morro do Tchitundulo, embora difícil, torna-se,
por isso, urgente.
Encontram-se essas inscrições no grande morro granítico que dá acesso à chamada Casa Maior que
se abre sobre a falésia em forma de anfiteatro. Quase toda – talvez mesmo toda – a grande pedra
de granito por onde se atinge a base Maior encontra-se atapetada de gravuras.
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