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Obtive de "Literatura Tradicional Angolana", de B. Duarte (Editora Didáctica de Angola,
S.A.R.L., Benguela, editado em Abril de 1975), os dados que apresento em forma de mapas: um
do país inteiro, onde se assinala a região da Província do Namibe; o segundo é um "zoom"
daquela província. Neste último estão inscritos vários números que correspondem a grupos
étnicos ali presentes.
Após, temos a descrição das características dos povos do deserto, em Angola. Ela é o resultado
de um estudo feito pelo Fernando Padrão, tendo como base a publicação do Pe. Carlos Estermann,
"Etnografia de Angola - Sudoeste e Centro", editada pelo Instituto de Investigação Científica
Tropical. Este trabalho do Pde. Estermann é considerado o melhor e o mais completo acerca
dos povos desta região.
Estou grata ao Fernando por ter-me ajudado, ao facultar-me este estudo. Ele irá, sem dúvida,
enriquecer este capítulo. É a família a colaborar nas mais diversas formas...
Poderão apreciar abaixo os mapas étnicos da autoria de Mesquitela de Lima, 1970, referentes a
Angola, no seu todo, e à Província do Namibe.
|
| Corrente em português | Correcto em português | Correcto em língua nativa |
| 64 - Dimbas | Ndimbas | Ova-Ndimba |
| 65 - Chimbas | Himbas | Ova-Himba |
| 66 - Chavícuas | Chavicuas | Ova-Tchyavikwa |
| 67 - Cuanhocas | Cuanhocas | Ova-Kwanyoka |
| 68 - Mucubais | Cuvales | Ova-Kuvale |
| 69 - Guendelengos | Guendelengos | Ova-Nguendelengo |
| Corrente em português | Correcto em português | Correcto em língua nativa |
| 91 - Cuísses (a) | Cuissis | Ova-Kwisi |
| 92 - Cuepes (b) | Cuepes | Ova-Kwepe (c) |
Caracterizemos melhor cada um destes grupos etno-linguísticos:
Os Cuvales ou Dombes (Ova-Ndombe): o grupo mais importante, apesar de deambular
pela área mais desértica.
São descendentes de povos camitas, cuja existência se processa numa área que engloba as margens
dos rios Bero, Giraúl e Vintiaba (Vi-Ntiava, lugar onde se pode achar lenha) (Bentiaba). Povos
pastores que se alimentam de frutos silvestres e, predominantemente de carne, leite e seus
derivados (iogurtes, manteiga, etc.) e que abominam comer qualquer espécie de peixe.
Como se vê no quadro acima, são bantos do grupo etno-linguístico Herero, que existe tanto em
Angola, como na actual Namíbia. As mulheres praticam uma agricultura muito rudimentar, quase
reduzida a massango e massambala, com que enriquecem as dietas alimentares.
Como povos pastores que são, habitando regiões semi-desérticas, com naturais carências de água e
forragens, praticam, naturalmente, a transumância.
Os Cuvales foram pela primeira vez referênciados por Gregório Mendes quando da sua viagem de
Benguela ao Curoca, em 1785, e, igualmente, no mesmo ano, por Pinheiro Furtado, numa viagem de
reconhecimento da costa, que efectuou por mar.
Desembarcado na Angra do Negro, actual Namibe, com eles contactou, tendo referido no seu
relatório que eram errantes e detentores de grandes rebanhos de carneiros.
Tudo isto foi confirmado por Pedro Alexandrino da Cunha quando, tempos depois, visitou aquela
região. Referiu, então, que "possui este povo bastante gado vacum. É porém no vasto
território dos Cubaes, povos essencialmente pastores e mui proximos da baía, onde a quantidade
de gado é incalculável."
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