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Trata-se de um povo polígamo, que pratica ritos da puberdade. Os rapazes antes do casamento
sujeitam-se a uma cerimónia ritual frente a uma espécie de altar familiar, onde os Pais os
despenteiam, untam-lhes os cabelos com manteiga misturada com uma casca de determinada árvore,
devidamente esmagada, depois do que fazem uma trunfa com os cabelos untados e proclamam: "Meu
filho, tu és grande, agora!"
Na região denominada Kaokoland, encontramos os Himba, um povo nómada, também presente em Angola,
cujos usos e costumes permanecem inalteráveis, de acordo com as tradições dos seus ancestrais; os
Damara na Damaraland que, contrariamente aos Himba, adoptaram muitos hábitos ocidentais. E os
Herero. Estes povos são negros bantos do Grupo Herero.
A estrutura familiar aponta no sentido do sistema matrilinear, como acontece com os restantes
bantos, embora, aqui, muito moderado, porque os Pais partilham, de certo modo, o poder, dentro
do clã.
Acreditam em Deus, mas detectam-se reminiscências totémicas. A par disto, cultuam o espírito
dos antepassados e emprestam um certo carácter ontológico a certo gado que consideram sagrado.
Cada chefe de clã é o "quimbanda (médico) medium" que preside ao sacrifício do gado.
Os Cuanhocas: étnica e linguisticamente aparentados com os Cuvales (os usos e costumes
de ambos não diferem muito), os Cuanhocas vivem no curso médio e alto do vale do rio Curoca.
Os Cuepes: é um grupo em extinção, que vive principalmente no vale do rio Curoca.
Apesar de terem sido assinalados no século XVIII por Duarte Pacheco Pereira, no "Esmeraldo de
situ Orbis" e por Cadornega, que nos dá conta de "homens trazidos para Luanda dalém do Cabo
Negro que falavam como de estralo e comiam carne, peixe e milho cru" e, ainda, por Pilarte da
Silva, que os descreveu como povos colectores e pastores que detinham gado bovino e ovino,
trata-se de um povo muito pouco estudado.
Do ponto de vista do idioma, pertencem à família linguística Khoisane. Trata-se, segundo o
Professor Westphal, de uma etnia que nada tem a ver com os bosquímanos e hotentotes.
Deambulavam por uma vasta zona à volta de Porto Alexandre, actual Tombua.
Os Cuísses: povo de raça negra, não banto, vivendo numa zona geográfica bem definida,
dentro do deserto, deserto que constitui, todo ele, o limite para a sua vida errante.
Foi talvez o grupo humano que melhor se adaptou às terríveis condições climatéricas do deserto
do Namibe.
Sob esta designação (Cuísses), nada se encontra relatado por exploradores ou viajantes até há
relativamente pouco tempo.
Porquê?
Talvez pela sua natureza arisca e avessa a qualquer tipo de convivências (é um grupo que se auto
segrega) terá fugido a contactos, ainda por cima, com elementos da etnia branca.
Segundo o Pde. Estemann, a não referência aos Cuísses pode justificar-se porque aquela
denominação é rejeitada pelo grupo que, ao contrário, se intitula "Cuandos" ou, ainda,
"Cuambúndios". Ora, é exactamente com este vocábulo ou vocábulos etnonímicos que aparecem
referidos no fim do século XVIII, num mapa de Pinheiro Furtado.
Contudo, é interessante notar que a designação "Mucuíxes" aparece igualmente no mesmo mapa,
referindo um agregado etno-linguístico. Segundo o Pde. Estermann, se disser respeito aos
Cuísses, encontra-se localizado num espaço marcadamente errado.
No século XIX, segundo os Anais do Município de Moçâmedes, transcritos nos do Conselho
Ultramarino (1839/1849), encontra-se uma interessante anotação: "Na costa ao Norte e Sul
desta Vila, diz o cronista, encontram-se os Mucuissos, que é uma raça de gentio nómada, que
se supõe provir da nação mecuando, que demora ao sul de Dombe, num lugar chamado Munda dos
Huambo. Vagueiam pelas pedras e rochedos da costa em pequeno número, sustentando-se de
mariscos e de peixe que, industriosamente, colhem com pregos, ou qualquer bocado de ferro, à
falta de anzol, não fazendo parada certa nem demorada em parte alguma, sendo bastante
tratáveis." (I.c. pg. 487).
Vivem, no máximo duas famílias, a céu aberto, resguardando-se quantas vezes, das chuvas e
ventos, junto a formações rochosas, quando isso era possível.
O vestuário, reduzido a duas pequenas peles de antílope para taparem os órgãos genitais, era
completado, nas mulheres, após a festa da puberdade, por pequenas fiadas de cor branca.
Vivem exclusivamente de frutos silvestres e da caça, em que são exímios, com a utilização do
arco e flexas envenenadas. Chegam a atacar elefantes e rinocerontes e são autênticos mestres
no emprego de sistemas de armadilhas.
Há quem diga que, quando o território era atravessado por um ribeiro, chegaram a praticar a
agricultura, cultivando o milho com o auxílio de pedras pontiagudas.
São monogâmicos e monoteístas.
Na Namíbia
Os bosquímanos, os hotentotes são, como se sabe, povos do deserto do Namibe, não negros e não
bantos.
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