Por influência da Corrente Fria de Benguela as águas do mar que contorna o Deserto do Namibe são
ricas em nutrientes: o "plankton" ocorre ali em quantidades fantásticas! Dele se alimentam os
peixes menores que, por sua vez, são o alimento para os peixes maiores, aves e mamíferos.
Cerca de três quartos dos flamingos de África alimentam-se naquela costa e todas as aves marinhas ali
nidificam numa altura do ano em que podem aproveitar-se da abundância de peixe.
Focas e pinguins, e até lobos marinhos, provenientes de regiões mais frias, são atraídos
para as águas fertéis da Corrente de Benguela. Mais de meio milhão destes animais procriam na
costa do Namibe - um de 2 em 2 metros, aproximadamente.
Na costa de Angola, há ainda a registar a presença das toninhas, como se dizia em Moçâmedes.
Pertencem à família dos golfinhos. Falarei delas na página que dedicarei à Praia das Miragens.
Em Angola, informações actuais dão conta da presença significativa de orixes, zebras, gazelas,
galinhas do mato, olongos. Há, também, macacos pretos, punjas, caindes, chitas, lobos, raposas,
macebos, jacarés, tartarugas marinhas (presentes na foz do Rio Cunene), abutres, elefantes.
Na região de Kaokoland, na Namíbia, encontra-se o elefante asiático que se adaptou às condições
desérticas. Aí estão também presentes os rinocerontes negros e as girafas.
Não pretendo apresentar uma galeria de fotos destes animais. Gostaria, no entanto, de lembrar
que muitos deles têm a sua existência em perigo porquanto estão em vias de extinção.
O meu voto e, com certeza o de todos, é que se saiba encontrar o equilíbrio necessário para que
as manadas destes animais retomem o crescimento e encham o deserto com os seus brados, os seus
rugidos, enfim, todos os ruídos que evidenciam a alegria da vida selvagem em pleno e não a fuga
pela vida.
Entre as plantas existentes no Namibe, sobressai a
"welwitschia mirabilis"
, com o seu formato fantástico e as suas duas únicas folhas esfiapadas que, semelhantes a
tentáculos de alguma criatura, absorvem a humidade do ar. Esta planta, cujas folhas estão em
constante crescimento e se enroscam no que parece um amontoado de folhas, pode atingir a bonita
idade de 2.000 anos!
Apresentarei uma página a seu respeito porquanto as suas características únicas merecem uma
referência em separado.
Há, também, os líquenes. Estes são provavelmente mais antigos do que a própria
"welwitschia mirabilis"
. Existem em grande quantidade na região onde ocorrem os nevoeiros, ao longo da costa, e são
também extremamente sensíveis, podendo ser facilmente danificados.
Há várias centenas de espécies e crê-se que alguns deles vivam milhares de anos.
Os líquenes são o resultado do relacionamento simbiótico entre as algas e os fungos. A parte
que se relaciona com os fungos fornece o suporte físico, enquanto que a das algas é responsável
pela fotossíntese que fornece o alimento e a energia. Os líquenes aproveitam a humidade
proveniente do ar, assim como dos nevoeiros.
A cor e a forma podem variar consideravelmente, como se poderá constatar no decorrer
de um curto período de observação.
Alguns são como crostas, presos, bem rentes, às rochas ou ao solo gipsífero. Outros são folíferos
e as suas partes aéreas exibem-se acima da superfície do solo.
As suas cores são variadas e podem ir do laranja, ao cinzento, verde, castanho, ou preto. Sob a
influência do nevoeiro, têm um aspecto impecável e ainda mais brilhante!
Se se quiser observar os líquenes, a melhor altura para o fazer será de manhã bem cedo, quando
ainda se encontram húmidos, em consequência do nevoeiro. A alternativa será derramar-se sobre
eles uma pequena quantidade de água e, deste modo, revelarão as suas cores vibrantes.