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Feliz Dipanda!

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Vejo os meninos e meninas-quase-crianças transformados em vendedores ambulantes (“Cuidado”, dizem-me. “podem assaltar-te!”). Vejo os seus rostos sérios, por entre a multidão de carros que soltam fumo intoxicante, de pé horas a fio, no calor sufocante do alcatrão, mostrando a sua mercadoria de gosto duvidoso, e o meu carinho e respeito vão para eles...;

Vejo as quitandeiras (kitandeiras)… “Amiga, quer banana, ananás? ‘Tá doce!”...;

Vejo as cambistas (kinguilas), à porta do supermercado, trocando dólares por Kwanzas, fazendo o seu negócio com rapidez impressionante (aí, sim!, é preciso toda a atenção!) e depois irem ao Banco, ali mesmo, e voltar a trocar as moedas, daí retirando o seu lucro...;

Vejo, enfim, uma população que, numa larga percentagem, trabalha ilegalmente, mas fá-lo porque não consegue outro meio de subsistência. E assim luta.;

Vejo os metidos-a-espertos tentando, como me disseram uma vez, “dar nó em fio de água”...;

Quase não vejo velhos... são tão raros! Aos poucos com que me cruzo, não resisto, e saúdo-os com um sorriso aberto… e recebo outro igual...”



Absorvo informações, volto a lugares meus conhecidos... lá estão os fantasmas do passado...
Começo a tomar consciência das mudanças que estão a ter lugar... para melhor... a intenção é essa,
apesar de tantos e de todos os pesares…...


“a força da grana que ergue e destrói coisas belas”…


Tenta-se agora reconstruir.
O esforço é enorme, requer patriotismo, cidadania, e muita força de vontade.
E agilidade: o tempo urge e o país é um gigante quase adormecido.
Requer, também, beber referências.



Cheguei há quatro meses.
Observo as obras que estão sendo levadas a cabo e penso:
“Não são 20, mas 10… daqui a 10 anos, se Deus quiser, e se tiverem juízo, Luanda poderá estar diferente. Para melhor.”



“Da feia fumaça que sobe, apagando as estrelas, eu vejo surgir teus poetas, de campos e espaços, tuas oficinas de florestas, teus deuses da chuva.”…



As primeiras chuvas começaram a cair em meados de Setembro.
As árvores estão mais verdes.
Florescem as acácias rubras, as neias (pitta clobium), os raros jacarandás…
As velhas, enormes e frondosas mulembas, para se evitarem acidentes quando as chuvas caírem fortes, foram podadas, e já a sua copa se mostra forte e verdejante...


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