As Latadas
Mas nem tudo é brincadeira: tratam-se de coisas sérias, fazem-se alusões satíricas à situação política e social... quanto mais inspiradas, melhor!... Esta é uma prática levada a cabo desde o séc. XIX.: a critica à política e a quem a exerce... É o caso de José Francisco Trindade Coelho (1861 - 1908), que compôs "In illo tempore" (Paródia aos Lusíadas):
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Os grandes paspalhões assinalados, Que nas reuniões da Academia Foram solenemente apepinados Por sua telha ou sua fidalguia, Que nas guerras das mocas esforçados Mais do que a força humana permitia No Teatro Académico asnearam Tolices de que todos se espantaram; E também as façanhas gloriosas Dos Cabrais e Waldecks e quejandos, Que à noite, com as vozes mais fanhosas, andam o nível a pedir em bandos; E as diabólicas fúrias deliciosas De certos quintanistas memorandos, Cantando espalharei por toda a parte. Há-de-se rir o mundo até que farte. Ó musa da ironia e da arruaça, Que tens excepcionais o gesto e o peito, Vira-te para mim e põe-te a jeito De inspirar um poema de chalaça; Quero um poema esplêndido, perfeito, Que vos celebre e que subir vos faça, Num pulo só, da glória à mor altura, Cavaleiros da mais triste figura! Haviam sido há pouco apepinados Os meus heróis, que andavam murmurando Que na Trindade ou para aqueles lados Se estava contra eles conspirando, Quando uma noite andando endiabrados Pela Feira sobre isto conversando, Uma moca que os ares escurece Sobre as suas cabeças aparece. Viu-se o Waldeck! Vinha carregado Com a moca que pôs a todos medo. "Ai rapazes!, bradou, venho estafado Qual se trouxesse às costas um rochedo! Deixai-me descansar só um bocado Para depois contar-vos um segredo." E diziam os outros: "Co'esta moca 'Stamos seguros, pois ninguém nos toca." |
Estou a lembrar-me, também, das latadas sul-americanas... Certamente praticadas noutros lugares
do mundo mas, pela minha ligação mais estreita àquele continente, foi nelas que pensei
imediatamente...
Infelizmente, o motivo dessas latadas são sinónimo de crise económica, desemprego, falta de
dinheiro, fome, doenças, resumindo, a falência das instituições e do indivíduo como ser humano.
Quase um último recurso para mostrar aos "dirigentes" (perdoem-me o parêntesis, mas, que
dirigentes???) que as suas vidas bateram no fundo!
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