"Backgrounds Etc."

"Primeiras Letras em Angola"
Biografias de Mestres

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Isabel dos Anjos Alves Rodrigues era natural da cidade do Porto, freguesia de Santo Ildefonso, onde deve ter nascido em 1856, visto que no Cadastro de Professores de Angola, de 1905, se lhe atribuíam quarenta e nove anos de idade. Estava casada com João Teles Grilo, que também foi professor em Angola, e cujos dados biográficos constam deste trabalho.

Uma portaria régia de 19 de Julho de 1890 nomeou para exercerem funções docentes em Angola, em lugar designado pelo governador-geral, os dois professores metropolitanos, João Teles Grilo e Isabel dos Anjos Alves Rodrigues. Efectivamente, no dia 12 de Setembro seguinte, eram colocados na colónia da Chibia, a única povoação em que poderiam, talvez, os dois. João Teles Grilo era professor da escola masculina e sua mulher da escola feminina.

Os dois professores em referência foram exonerados do cargo docente, na Chibia, em 2 de Janeiro de 1895. Regressaram pouco depois à Metrópole, talvez por lhes ser dada por concluída a missão que os trouxe a Angola. Só assim se explica que mesmo depois da exoneração tivessem direito a viagens pagas pelo Estado. Sabemos que lhes foi passada guia em 10 de Maio de 1895. Tratava-se de uma numerosa família de nove filhos, cujos nomes aquele documento regista e que nós arquivamos como curiosidade: - Maria da Luz, Romero, Mário, Maria Dinorá, João, Maria Nazaré, Maria Judite, Germano e Jaime. A que nesta enumeração ocupa o quarto lugar, Maria Dinorá, exerceu também funções docentes em Angola, durante algum tempo. Temos conhecimento particular que nasceram, depois disto, outros filhos, pelo que a família Teles Grilo era constituída por mais de nove irmãos, continuando a ser ainda hoje muito conhecida em Angola, onde tem representantes.

Uma portaria ministerial, com data de 4 de Fevereiro de 1907, assinada pelo conhecido ministro que foi Jacinto Cândido da Silva, informa-nos que Isabel dos Anjos Alves Rodrigues – que exercera funções de magistério na Chibia, desde 19 de Julho de 1890 até 2 de Janeiro de 1895 – era nomeada naquela data para ocupar o lugar de professora da escola feminina do concelho da Humpata, para o que tinha sido aberto concurso e, 2 de Dezembro de 1896, por aviso publicado no Diário do Governo, em Lisboa.

Em 14 de Julho de 1900, foi autorizado o regresso ao reino da professora Isabel Rodrigues em virtude do parecer da Junta de Saúde. Seguiu para Lisboa dois dias depois. Tinha tomado posse do lugar em 1 de Julho de 1897.

Sabemos que Isabel dos Anjos Alves Rodrigues regressou à Província em 14 de Janeiro de 1901. Conservar-se-ia todo este tempo no continente europeu? Não sabemos.

Esta senhora obteve nova licença para voltar à Europa em 21 de Maio de 1906. Reassumiu de novo as suas funções, no dia 1 de Janeiro de 1907. Neste intervalo foi substituída na regência da escola por sua filha, Maria Dinorá Teles Grilo.

Em 17 de Março de 1911, foi contado o tempo de serviço da professora da Humpata, Isabel dos A njos Alves Rodrigues, verificando-se, inexplicavelmente, que tinha pouco mais de quatro anos de actividade útil! Haveria engano, ou referir-se-ia este documento apenas ao tempo decorrido desde a última vez que reassumiu as suas funções?

Obteve nova autorização para se deslocar à Metrópole em gozo de licença graciosa, no dia 19 de Março desse ano de 1911. Mas desta vez era-lhe imposta a condição de só iniciar o gozo da licença em Maio seguinte; no entanto, apenas partiu para Lisboa no dia 6 de Setembro. Tendo-lhe sido concedidas diversas prorrogações, por motivo de saúde, só reassumiu o exercício das suas funções em 15 de Novembro de 1912.

Sabemos que foi desligada do serviço no dia 8 de Maio de 1915. Tinham-se passado quase vinte e cinco anos sobre a data da sua nomeação e colocação na Chibia. Com efeito, poucos agentes do ensino encontraremos com mais tempo de actividade e permanência na escola.

Teòricamente, Isabel dos Anjos Alves Rodrigues foi desligada das obrigações docentes, em 17 de Junho desse mesmo ano, ao ser confirmado o parecer da Junta de Saúde, ou Junta Médica, na linguagem oficial, que declarou sofrer de doença grave e incurável, ordenando que regressasse à Metrópole, na primeira oportunidade. Contava então quase vinte e um anos de actividade docente, ao serviço do Estado.

Nada conseguimos apurar quanto às suas qualidades morais e didácticas. Pelo menos, pode dizer-se que não reputamos qualquer informação em seu desfavor, o que é também honroso; por isso registamos o pormenor. As habilitações literárias desta senhora consistem simplesmente no exame de instrução primária.

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