"Backgrounds Etc."
"Primeiras Letras em Angola"
Biografias de Mestres
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Margarida Pimenta Mega
era natural de Lisboa, tendo nascido na freguesia de Santa Catarina, em 1 de Setembro de 1890.
Fixou-se no Lobito em Junho de 1914.
Foi nomeada professora primária da escola desta cidade em meados de 1916. A sua folha de
registo biográfico deixa-nos entrever que a nomeação se efectuou a 4 de Agosto desse ano. Foi
a única mestra de primeiras letras que conseguimos identificar, nesta hoje importante cidade a
ngolana, no período em estudo neste trabalho.
Ficando sozinha e com três filhos a criar e educar, depois do falecimento de seu marido, Taurino
Lopes Mega Júnior, em 6 de Maio de 1926, dedicou-se a partir de então ainda com maior afinco ao
trabalho docente, estabelecendo o que se chamava “Colégio de D. Margarida Mega”. Funcionou
durante bastantes anos, tendo frequentado as suas aulas muitos que vieram a ser chefes de família
prestigiosos na cidade, elementos destacados da sociedade portuguesa em diversos ramos e em
vários cargos influentes.
Pode ler-se desta professora na “Revista de Angola” de 15 de Janeiro de 1969:
Veneranda figura de mulher e de cidadã, a mais antiga residente do Lobito, desde há cinquenta
e quatro anos, a sua permanência ficou bem vincada e prestigiada por exemplar acção e
dignificante conduta, sendo considerada e estimada por quantos a conheceram e por todos aqueles
a quem ministrou os seus ensinamentos e conselhos de boa educadora.
A Câmara Municipal, por proposta do seu presidente, António de Oliveira Trindade, deliberou dar
a uma artéria da cidade do Lobito o nome desta senhora, perpetuando-o na toponímia da terra em
que exerceu o magistério.
A professora Margarida Pimenta Mega faleceu naquela cidade, no dia 21 de Julho de 1968.
Notas da autora deste site:
Volto atrás no tempo e vejo-me a conversar com a minha Avó materna, em Benguela. Uma das
pessoas a quem ela se referia com muito carinho era precisamente a Sra. D. Margarida Mega.
As duas famílias conheceram-se quando os meus Avós e filhos moraram no Lobito. Acompanharam
de perto as circunstâncias dramáticas da morte do seu marido. A amizade que se desenvolveu
transferiu-se para a geração seguinte e recordo-me de, quando vínhamos de férias, de Moçâmedes,
ir com a Mãe Lola à casa dos Mega, na Ponta da Restinga. Era uma visita obrigatória! É, pois,
com muito orgulho que incluo a sua biografia.