Mas, como disse antes, nem sempre íamos de comboio... Foi o que aconteceu na minha última
visita ao Lubango... Foi em 1966 e aproximavam-se as Festas de N.S. do Monte... O grupo era
numeroso, ainda não tinha carro próprio, por isso decidi ir na carreira que saía de Benguela.
A estrada não era famosa... A viatura também não... parava em muitos lugares para receber e
desembarcar passageiros e as suas mais variadas bagagens... Em Quilengues, já próximo do Lubango,
a paragem era mais prolongada. Melhor para mim, que tinha parentes aí: era a Tia Emília, viúva
do Tio-Avô Luiz Brunido, o mais novo dos filhos do casal madeirense... Palhares quando solteira...
Contava a minha Mãe que o Pai dela morreu quando ela era ainda pequenina... morte invulgar
porque, andando na sua azáfama, na fazenda, lhe caiu na cabeça um cacho de dendém (m.q. dendê,
coconote), matando-o instantaneamente...
Ainda hoje lá mora o Rogério, o segundo filho do casal... Tem 16 filhos... todos da sua legítima
mulher. Com todo o respeito e carinho, o meu primo seguiu à risca o exemplo dos maisvelhos :))
Depois, a minha vida profissional levou-me por outros caminhos... Considero, porém, que
fechei com chave de ouro as minhas idas ao Lubango. Não vou descrever o que fizémos... são
recordações que muitos de nós temos daquelas festas... recordo-me que o convívio familiar foi
privilegiado e a alegria predominou.
Não havia evento de que não participássemos. Recordo-me que um dos pontos altos dessas festas
foi uma exposição na Câmara Municipal do Lubango do famoso retratista português Preto Pacheco.
Não fomos lá só uma vez... fomos sempre que sentíamos vontade, para melhor apreciarmos todos os
pormenores dos quadros daquele exímio pintor. Não faltámos à feira internacional agro-pecuária...
acabei servindo de intérprete entre potenciais compradores angolanos e os fazendeiros
sul-africanos que se apresentaram com o seu gado de raça aprimorada...
A fechar, o fogo de artifício no complexo da N.S. do Monte... As pessoas acomodoaram-se por ali...
o nosso grupo ficou junto a um dos últimos socalcos dos jardins que descem até à piscina... Ali,
olhávamos o céu mas também a piscina, onde o fogo se reflectia, ilumindo os jardins por inteiro...
visão inesquecível!
Nas fotografias que apresento (tentei recuperá-las do tom arroxeado que denota a velhice das
primeiras fotografias a cores reveladas em Luanda... que foi o primeiro local em Angola a prestar
esse serviço... o tom amarelo-acastanhado foi o melhor de consegui :))) ...) poderão ver os meus
Pais, o meu irmão Carol, as primas Carmen e Nice. Eu também lá estou. Ah!, e o "boxer" é o
Bruco, do irmão da Nice, o Rui, o tal que ficou famoso por terras da Huíla... Foram tiradas nas
chamadas Ruínas e as restantes na cascata, ambas próximas da famosa Fenda da Tundavala.