Moeda de Angola

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Handa – O nome que o autor atribui aos lingotes de cobre que corriam do Catanga à Monomotapa e ao planalto de Luanda, ref. Octávio de Oliveira no [periódico?] Notícia (1966) da província do Natal, África do Sul: Handas de cobre, numária monomotápica, ensaio numismático-arqueológico. Note-se que a palavra banta handa significa clã entre os ovimbundo e outros povos de Angola; por outro lado, o autor refere que Leo Frobenius, o incansável explorador e fundador da etnografia belga, chamava aos mesmos objectos “handacreuse”, que poderá ser heterografia da palavra flamenga handelkruis, ‘cruzeta de comércio’, de onde, possivelmente este termo. Seria preferível, portanto, falar-se de cruzetas e lingotes.

Jimbamba – Palavra crioula, referida pelo autor, formada de jimbo, o nome dado em Quimbundo à cíprea angolana [o zimbo, que corria até ao Catanga como moeda]; quantidade de zimbos, coisa de valor. Acrescente-se que o termo perdura no Português angolano como ‘embamba’, os pertences de alguém.

Jimbo – Quim. yimbu, do Quic. nzimbu, moeda; palavra que deu origem a jimbamba.

Lerali – O lingote dos Pedi, uma barra cilíndrica de 45 cm de comprimento com um cone de 160º (?) numa extremidade e decorações protuberantes, em forma de chifres (o autor não dá gravura do objecto).

Libongo – Nome que veio a ser dado em Quimbundo ao ‘paninho’ tecido no Loango, semelhante ao ‘paninho do congo’ ou likutu; acrescente-se que é palavra do Quimbundo calunda lu mbongu, ‘moeda – mbonge – irrisória, numerosa, como o nó do caniço’, já que um libongo valia 5 réis em 1695, quando o governador Henrique Jaques de Magalhães fez circular esta primeira moeda divisionária em Angola – já ali havendo moeda de 20 e 10 reis – dando assim origem a um motim entre a soldadesca brasileira da guarnição de Luanda.

Lingote – Forma manejável em que é vertido um metal pesado, monetário ou não. Depreende-se do trabalho em referência que o lingote de cobre africano ocorre em três formas: a barra cilíndrica, o ‘H longo’ em forma de astrágalo – o ‘jogo das pedrinhas’ – o objecto monomotápico assim denominado por Theodore Bent em The Ruined Cities of Mashonaland, e a cruzeta.

A forma cilíndrica, ou vergalhão, é a mais espalhada pela África austral, tanto como material para a confecção de manilhas, como na forma de mutsuku, os “cilindros rectangulares com fileiras de tachas no topo”, cada uma equivalente a 133 g de metal, o preço de uma enxada de ferro. As extremidades de um lingote monomotápico – de que a forma mais antiga foi encontrada na margem do r. Mpofu, Lomagundi – lembram, nos tamanhos mais pequenos, as orelhas de um martelo: foi Bent que primeiro descreveu o objecto, encontrado pela sua escavação das ruinas do Zimbabué de Fort Victoria, de que Hall and Neal em 1903 encontraram o molde, em talco xistoso, na estação de u’Mununkwaba, juntamente com gongos duplos e “um jogo de bolinhas de talco xistoso”; outros 12 moldes conhecem-se de Elizabethville e da Zambia; 21 espécimes foram encontradas por António Joaquim da Rocha “em Guengue, junto ao r. Búzi, na propriedade do Sr. Clemente da Silva”, prov. Manica e (?) Sofala, Moçambique. A cruzeta trata-se separadamente.

Os mutsuku já eram fundidos pelos Lemba, autóctones do Transvaal setentrional quando os Venda bantos ali chegaram no século XVIII. A origem do lingote monomotápico, e portanto o da cruzeta, dele provavelmente derivado, é obscura: Diodoro Sículo descreveu lingotes da Dalmácia, que o arqueólogo Sir John Evans comparou ao lingote africano (re. James Walton, The African Village); poderá ser o objecto dálmata o que aparece reproduzido pelo autor na segunda figura da p. 35: um lingote em ‘H’, convexo – enquanto o monomotápico é côncavo – forma estilizada reminescente da do antigo lingote mediterrânico, no feitio e tamanho de um couro de carneiro; em África, pensa-se que a indústria tivera origem entre os Macaranga. Veja-se também Cameron (1877) e Aurora Ferreira.

Os lingotes africanos mais semelhantes ao objecto moderno foram produzidos pelos Kwena – mineiros do estanho do Rooiberg, distrito de Waterberg, Transvaal – em moldes cavados em areia ou talco xistoso.

Lombongo – De libongo, nome dado em Angola ao ‘paninho’ tecido no Loango, que corria como moeda no reino do Congo e em Angola. O termo parece ter começado a aplicar-se às moedinhas de cinco reis que circularam neste reino a partir de 1695; segundo o autor [o termo é crioulo], derivado do Quimbundo m’ilambongo, ‘uma quantidade de imbonge’ (sing. mbonge, ou ‘bongue’) coisa de contar, como o nó do caniço. Significa hoje, simplesmente, ‘dinheiro’.

Macuta – Quim. makuta, pl. de likuta, o nome quicongo dos célebres ‘panos’, tecidos de fibras vegetais que correram como moeda em Angola até 1694. A partir deste ano, correram principalmente moedas de 10 reis produzidas para “o Brasil e Guiné”, querendo ‘Guiné’ dizer todas as possessões portuguesas na costa ocidental de África. As ‘macutas’, com o dístico “África Portuguesa”, só vieram a ser cunhadas em 1762, no tempo do marquês de Pombal. Conheceram, porém, uma grande distribuição no reinado de sua filha D. Maria I: houve emissões em 1783 (12, 10, 8, 6, 4 e 2 macutas, em prata; 1 macuta, em cobre), 1784 (6 e 4 macutas, em prata), 1785 (1, ½ e ¼ macuta, em cobre), 1786 (1 e ½ macuta, em cobre), 1789 (12, 8, 6 e 4 macutas, em prata; 1, ½ e ¼ macuta, em bronze) e 1796 (12, 10, 8, 6, 4 e 2 macutas, em prata). Foram desvalorizadas 50% sob o regente D. João, em 1814 (foram carimbadas nas missões até 1816), e não tiveram novas emissões no reinado de D. Miguel. No reinado de D. Maria foram de novo desvalorizadas em 20%, mas houve novas emissões em 1848-51 e em 1853. Sob D. Pedro V houve emissões das moedas de ½ macuta (1858) e de 1 e de ½ macuta (1860). No reinado de D. Luís I houve um ensaio de nova moeda para Angola: as moedas de 20, 10 e 5 reis de 1886 substituiriam as macutas, mas nunca foram produzidas. Assim, as macutas correram em Angola até à implantação da República em 1910, durante, portanto, 148 anos e 9 reinados.

Moeda angolana – A primeira sugestão de cunhagem de moeda privativa para Angola pertenceu ao senado da Câmara da cidade de São Paulo da Assunção em 1649, sendo governador Salvador Correia, que também assinou o auto respectivo, de 31.03: as moedas seriam de cobre, com os pesos de duas oitavas e dois terços [2,66×3,586 g ou seja, 9,539 g]... que se chamaria meio pano e valeria 25 reis, e de uma oitava e um terço [metade do peso anterior], que se chamaria libongo e valeria, naturalmente, 12,5 reis.

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