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Fernando Padrão é casado com uma Brunido, portanto meu parente.
O livro que foi pela primeira vez apresentado ao público em Fevereiro de 1998, vai já na segunda
edição. Teve como base a sua licenciatura apresentada ao Instituto Superior de Ciências Sociais
e Políticas.
No seu prefácio, o eng. Cardoso e Cunha descreve-o
Pedi e recebi de Fernando Padrão autorização para que reproduza do seu livro excertos que se
referem à colonização de Moçâmedes.
É com prazer que apresento um trabalho que foi preparado por alguém capacitado para nos
transmitir os factos históricos acerca da região do Sul de Angola. No caso específico de
Moçâmedes, eles ajudar-nos-ão a compreender como se desenrolou a sua colonização.
Respeitarei os números referentes às chamadas e, assim, eles não terão uma sequência porquanto,
como digo acima, apresentarei somente excertos do livro.
Antes de começar, porém, a reproduzir os excertos e porque, por vezes, os comentários do autor
constituem críticas a uma ou outra governação portuguesa, transcrevo, em primeiro lugar, parte da
sua "Nota Prévia", a saber:
. . . Analisando friamente todo o processo histórico de Angola até à descolonização, só
uma conclusão pode ser tirada: a responsabilidade pelas consequências trágicas que se lhe
seguiram cabe, exclusivamente, à canhestra política económico-financeira que Portugal escolheu,
desde sempre, com um ou outro hiato, para aquela ex-Colónia.
Aliás, tal verificação nem sequer tem nada de original. Francisco de Sousa Coutinho no século
XVIII, Paiva Couceiro e Norton de Matos, figuras épicas da governação de Angola, centraram toda a
sua actuação na criação de infra-estruturas que permitissem um desenvolvimento económico sem
reticências. Pela fala e pela escrita, em pronunciamentos privados e públicos, defenderam sempre
a tese de que ou Angola prosseguia uma política arrojada de desenvolvimento, base de uma
colonização intensiva, e de promoção das populações indígenas em ordem a atingirem o estatuto de
cidadãos de parte inteira, ou o seu devir não poderia deixar de conduzir, a prazo, a uma
catástrofe!
Por sinal, a carta dirigida a Salazar, datada de 31 de Outubro de 1937, exprimindo o seu
raciocínio sobre o que acreditava serem os desígnios de Angola, custou a Henrique Paiva Couceiro
e à sua mulher, ambos septuagenários, o exílio nas Canárias!...
Nesta mesma linha, insiro o que autor entendeu publicar após as tradicionais introduções,
através da eterna pena, tão crítica!, de Eça de Queiroz, e que espelha bem o que, com raras
excepções, foi sempre a política portuguesa em relação às suas antigas colónias:
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