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Durante séculos a presença portuguesa na região delimitada pelos ex-distritos de Moçâmedes,
Huíla, Cunene e Cuando-Cubango, caracterizou-se por uma colonização ambulatória da
responsabilidade de "funantes", na maioria degredados, de alguns missionários e de uma ou
outra missão de exploração de carácter oficial ou privado.
Só em 1848 se encara o povoamento mais racional, com a ida para Moçâmedes de algumas centenas de
portugueses até então residentes no Brasil, que não quiseram abdicar da nacionalidade de origem,
quando o grande País irmão se tornou independente.
Neste estudo, procura-se uma explicação para a política de povoamento de Portugal até à década de
1950 e os seus reflexos em Angola, e especialmente no Sul.
Dividimos o trabalho em 4 capítulos, em que as várias matérias são, tanto quanto possível,
tratadas cronologicamente.
O primeiro capítulo, que abrange um período que vai de Janeiro de 1485, data da descoberta do
Cabo Negro, a 1848, ano em que a "Tentativa Feliz" aporta a Moçâmedes com os portugueses de
Pernambuco; no segundo, em que acompanhamos o povoamento tanto de Moçâmedes como da Huíla,
seus sucessos e fracassos, ...; (. . .)
Segundo Martin da Boémia, Diogo Cão chegou ao Cabo Negro a 18 de Janeiro de 1485. O mesmo autor refere a descoberta, nessa altura, da "Angra das Aldeias" - ex-Porto Alexandre e da "Manga das Areias" - hoje Baía dos Tigres.
(1)Embora esta data seja controvertida - o Doutor Damião Peres, entre outros, contesta-a - podemos, em princípio, considerá-la como o primeiro contacto que os portugueses têm com as terras do Sul, mais precisamente com o litoral moçamedense.
O Cabo Negro, onde Diogo Cão implantou o padrão na sua segunda viagem, foi considerado, durante
muito tempo, o limite Sul da costa ocidental.
Com base nas inscrições encontradas em Moçâmedes, no morro designado Torre do Tombo, durante os
Séc. XVII e XVIII, deparamos, entre outras, com as seguintes:
O Capitão José da Rosa, de Alcobaça, passou por aqui para o Cunene no patacho Nossa Senhora da Nazareth em 4 de Janeiro de 1665; Piloto Mateus Pires da Silva, em 1665; e a mais antiga, 1641 - D. António Meneses da Cunha ou D. António da Cunha Meneses."
(. . .) O Barão de Moçâmedes, ao aperceber-se do perigo que a não ocupação de Angola
representava, organizou duas expedições, uma por terra e outra por mar, com o objectivo de
conseguir conhecer mais profundamente as terras do Sul.
A expedição por mar parte de Benguela e aporta à antiga Angra do Negro, que se baptiza com o
nome de Moçâmedes em homenagem ao Governador de Angola. Nas suas pesquisas ao local, encontra
vestígios de passagem de portugueses.
"Nesta Bahia," diz o relatório da missão, "se acharam manifestos signaes de ter sido
frequentada em tempos mais affastados; mas o curso dos anos tinha totalmente apagado da
memória dos homens semelhante tradição."
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