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"No fundo da Angra e na parte Sul, vários nomes de portugueses e estrangeiros ali se acharam
gravados numa pedra branda, mas com diferentes dattas, sendo a mais antiga do anno de 1649,
quási todas as mais, por 1665."
"Os escaleres da expedição marítima", prossegue o relatório, "sahiram do novo porto de Moçâmedes
para Cabo Negro, onde desagoa o rio a que chamam Bembaruque, que banha o País dos Muenambundos."
Os expedicionários, em presença de terras tão áridas e despidas de vegetação, regressaram a
Luanda.
Por aqui se vê como três séculos depois da descoberta do litoral de Moçâmedes, este se
encontra no mais completo abandono. A referência dos expedicionários a ter sido perdida a
memória da passagem de portugueses por aquela baía, fala por si!...
O Chefe da expedição por terra foi o grande sertanejo Gregório José Mendes, Sargento-Mor, que
custeou do seu próprio bolso o empreendimento, empreendimento, diga-se desde já, de certa
envergadura, pois se compunha, além dos quadros, de 1.038 serviçais, incluindo mulheres e
crianças.
Parte a caravana também de Benguela, através da costa, para Moçâmedes, términus, em princípio, da
incursão.
Contudo, no regresso, bifurca para o planalto da Huíla. Mendes, surpreendido com a serra da
Chela e regiões circunvizinhas, exalta-se quando descreve as suas belezas e potencialidades:
"Esta Província, diz, consiste numa dilatadíssima serra, estendida de nordeste-sueste, coberta de muito potentados de uma grande população, fértil em robustos habitantes" (não escapa também ao sortilégio que o mundo dos escravos constituía)."
Esta descrição, apoiada ao que se sabe, pelo Governador-Geral, não foi suficiente para se
instalar um Presídio em Moçâmedes.
O certo é que, em 18 de Janeiro de 1786, este dirigiu à Secretaria de Estado da Marinha e
Ultramar, um ofício em que defendeu e expôs os seus pontos de vista.
Desconhece-se a sorte de tal ofício, pois, segundo Luz Soriano, ter-se-á extraviado, talvez pelo
facto de, em 1820, os negócios do Ultramar se terem autonomizado do Ministério da Marinha, o que,
na separação dos arquivos, teria levado à perda deste e de muitos outros documentos.
"Foi assim que terminou para Moçâmedes esta primeira tentativa, a qual, apesar de se conservar tradicionalmente em Loanda e aqui mesmo em Lisboa na memória de alguns indivíduos muito cuidadosos e interessados pelo bem e prosperidade das nossas colónias, nada mais deu de si até aos nossos tempos. (anno de 1839)"
A total ineficácia e falta de vontade política do Governo Português, levou a que todo o Sul de
Angola continuasse entregue a si próprio, em completo estado de abandono. Este estado de
coisas era um convite à cobiça de algumas nações europeias, cada vez mais interesadas no
continente africano.
Aliás, não foi por acaso que, depois da viagem a África (1827-1830) de João Baptista Douville, o
Governo francês, impressionado com o relatório daquele explorador e instado por ele, tenha
chegado a pensar muito seriamente na ocupação da área.
Apesar disso, teve que se esperar por 1839 para que o Sul voltasse a merecer a atenção do
governo. Nesse ano, mais precisamente em 1 de Setembro, o Governador-Geral de Angola,
vice-almirante António Manoel de Noronha, enviou a Moçâmedes o então Capitão Tenente Pedro
Alexandrino da Cunha, com a incumbência de, mais uma vez, reconhecer o local e propor medidas
para a sua ocupação.
O relatório que elaborou foi muito bem aceite, e, em Fevereiro de 1840, já no governo de
Manoel Eleutério Malheiros, funda-se em Moçâmedes um presídio que teve como primeiro Comandante
o Tenente de Artilharia João Francisco Garcia Moreira. O estabelecimento ficou dotado com duas
peças de artilharia e a sua guarnição com 26 praças. Simultaneamente instalaram-se junto ao
presídio alguns casais libertos.
Moçâmedes, a partir desta data, ocupa lugar de destaque entre as preocupações dos Governadores da
Colónia. Bressane Leite e Lourenço Possolo pedem instantemente à Metrópole os meios necessários
para o seu desenvolvimento."
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