Página 3 de 9





"No fundo da Angra e na parte Sul, vários nomes de portugueses e estrangeiros ali se acharam gravados numa pedra branda, mas com diferentes dattas, sendo a mais antiga do anno de 1649, quási todas as mais, por 1665."

"Os escaleres da expedição marítima", prossegue o relatório, "sahiram do novo porto de Moçâmedes para Cabo Negro, onde desagoa o rio a que chamam Bembaruque, que banha o País dos Muenambundos."

Os expedicionários, em presença de terras tão áridas e despidas de vegetação, regressaram a Luanda.
(22)

Por aqui se vê como três séculos depois da descoberta do litoral de Moçâmedes, este se encontra no mais completo abandono. A referência dos expedicionários a ter sido perdida a memória da passagem de portugueses por aquela baía, fala por si!...

O Chefe da expedição por terra foi o grande sertanejo Gregório José Mendes, Sargento-Mor, que custeou do seu próprio bolso o empreendimento, empreendimento, diga-se desde já, de certa envergadura, pois se compunha, além dos quadros, de 1.038 serviçais, incluindo mulheres e crianças.

Parte a caravana também de Benguela, através da costa, para Moçâmedes, términus, em princípio, da incursão.

Contudo, no regresso, bifurca para o planalto da Huíla. Mendes, surpreendido com a serra da Chela e regiões circunvizinhas, exalta-se quando descreve as suas belezas e potencialidades:

Esta descrição, apoiada ao que se sabe, pelo Governador-Geral, não foi suficiente para se instalar um Presídio em Moçâmedes.

O certo é que, em 18 de Janeiro de 1786, este dirigiu à Secretaria de Estado da Marinha e Ultramar, um ofício em que defendeu e expôs os seus pontos de vista.

Desconhece-se a sorte de tal ofício, pois, segundo Luz Soriano, ter-se-á extraviado, talvez pelo facto de, em 1820, os negócios do Ultramar se terem autonomizado do Ministério da Marinha, o que, na separação dos arquivos, teria levado à perda deste e de muitos outros documentos.

A total ineficácia e falta de vontade política do Governo Português, levou a que todo o Sul de Angola continuasse entregue a si próprio, em completo estado de abandono. Este estado de coisas era um convite à cobiça de algumas nações europeias, cada vez mais interesadas no continente africano.

Aliás, não foi por acaso que, depois da viagem a África (1827-1830) de João Baptista Douville, o Governo francês, impressionado com o relatório daquele explorador e instado por ele, tenha chegado a pensar muito seriamente na ocupação da área.

Apesar disso, teve que se esperar por 1839 para que o Sul voltasse a merecer a atenção do governo. Nesse ano, mais precisamente em 1 de Setembro, o Governador-Geral de Angola, vice-almirante António Manoel de Noronha, enviou a Moçâmedes o então Capitão Tenente Pedro Alexandrino da Cunha, com a incumbência de, mais uma vez, reconhecer o local e propor medidas para a sua ocupação.

O relatório que elaborou foi muito bem aceite, e, em Fevereiro de 1840, já no governo de Manoel Eleutério Malheiros, funda-se em Moçâmedes um presídio que teve como primeiro Comandante o Tenente de Artilharia João Francisco Garcia Moreira. O estabelecimento ficou dotado com duas peças de artilharia e a sua guarnição com 26 praças. Simultaneamente instalaram-se junto ao presídio alguns casais libertos.

Moçâmedes, a partir desta data, ocupa lugar de destaque entre as preocupações dos Governadores da Colónia. Bressane Leite e Lourenço Possolo pedem instantemente à Metrópole os meios necessários para o seu desenvolvimento."

(. . .)
__________
[ Anterior ] [ Mapa da Província do Namibe ] [ Página Principal ] [ Próxima ]