Página 4 de 9
Ao descrever (Possolo) as belezas e potencialidades dos planaltos do Sul, pretendia, ao que supomos, influenciar decisivamente o governo central no sentido de ir buscar a África uma base de sustentação para a frágil economia de Portugal. A imagem do eldorado angolano, que intencionalmente transmite, deveria funcionar como o "abre-te Sésamo" da vontade política do governo, para incentivar não só a ida de capitais para Angola, como de colonos, promovendo uma colonização racional para as terras do Sul."
Política, económica e socialmente, Angola esteve sempre dependente do Brasil. A situação piorou,
ainda, se é que isso era possível, com a ida da Corte para o Brasil, em consequência da 1ª
Invasão Francesa, em 1807. E isto, apesar de o Príncipe Regente ter quebrado algumas amarras
da política ultramarina, com a abertura dos portos das colónias a navios estrangeiros. Angola,
continuou umbilicalmente ligada à economia do Brasil, dependência de que só se libertou
parcialmente com a independência de facto e de direito daquele País em 1822.
Com a chegada do Príncipe Regente ao Rio de Janeiro em 8 de Maio de 1808, que passou a ter a
dignidade de capital do Reino, o país irmão, com a liberalização da sua economia, atingiu,
obviamente, índices de desenvolvimento exponenciais, ao mesmo tempo que, paralelamente, Angola
se fragilizou progressivamente com a exportação para o Brasil de quantidades crescentes de
homens, o seu mais precioso e valioso elemento.
Em consequência deste estado de coisas e como medida cautelar para a economia de Portugal,
depauperada com a independência do Brasil e ausência de uma alternativa económica válida, nas
colónicas africanas, pensou-se especialmente em Angola, cujas potencialidades poderiam suprir,
até certo ponto, os elementos vivificadores que até aí aquela colónia injectava na nossa
economia.
Daí que D. João VI tenha feito inserir uma cláusula no tratado luso-brasileiro de 1825, que
atenuou a dependência económica de Angola em relação ao Brasil.
Sustida a sangria humana a que Angola estivera sujeita, houve que tomar medidas que
catalisassem as suas potencialidades económicas, de forma que viessem a influenciar
decisivamente a depauperada vida empresarial portuguesa.
A independência do Brasil teve, no entando, reflexos positivos para Angola, nomeadamente com a
aceleração da abolição da escravatura, iniciada verdadeiramente durante aquele lapso de tempo.
A independência do Brasil teve ainda outra consequência, que veio a revelar-se bem trágica:
condicionou durante décadas a política ultramarina portuguesa, cuja estratégia foi sempre
conduzida no receio de que um desenvolvimento sem reticências de Angola conduzisse à sua
independência . . .
. . . A acção de Sá a Bandeira, no que respeita ao Su de Angola, merece ser tratada com o
maior relevo, porque lhe mereceu o maior carinho e compreensão, traduzida tanto em escritos,
como em obras.
A sua maior preocupação era a colonização daquelas terras, preocupação que transparece com a
maior clareza no relatório que apresentou à sessão legislativa de 1859:
"Pelo que respeita ao sertão de Mossâmedes tenho a dizer que ele se representa com os mais lisongeiros auspícios para a colonização europêa, especialmente a Huíla, Gambos e Humpata..."
Interessa, para concluir, assinalar que foram as providências do Marquês de Sá da Bandeira, a sua clarividência e dinamisno, que estiveram na base do desenvolvimento da Huíla e Moçâmedes e por arrastamento do Sul, pesem embora todas as contingências por que passaram e que a seguir nos propomos tratar.
| [ Anterior ] [ Mapa da Província do Namibe ] [ Página Principal ] [ Próxima ] |