Página 5 de 9





Capítulo 2

Povoamento


1. Colonização de Moçâmedes

1.1. Colonização Brasileira


1.1.1. Bernardino Freire


Bernardino Freire de Figueiredo Abreu e Castro, nasceu na Beira Alta, mais precisamente em Nogueira do Cravo, de uma família fidalga, da Casa da Torre de Nogueira do Cravo.

A sua educação, tal como a da maioria dos nobres, na época, foi orientada para a carreira das armas, onde atingiu o grau de Capitão.

Porque cresceu durante as lutas entre miguelistas e liberais, e como era oriundo de uma família conservadora, desde sempre ligada à monarquia tradidional, integrou, naturalmente, as hostes do Rei D. Miguel a quem serviu com a maior devoção e lealdade.

Com uma personalidade forte, não aceitou a vitória dos liberais, e, não desejando pactuar com os seus adversários políticos, abandona o Reino e exila-se no Brasil. Em Pernambuco inicia uma nova vida. Dedica-se ao ensino e às letras, com o vigor e entusiasmo que põe sempre em todos os empreendimentos a que lança mão.

Esse entusiasmo, aliado a uma vontade férrea, faz com que em pouco tempo ocupe lugar proeminente entre os pernambucanos, quer pelas suas qualidades pessoais, quer pela excepcional situação financeira que a breve trecho consegue.

Bernardino Freire deve ainda parte do seu prestígio ao facto de se ter afirmado como escritor, subscrevendo várias obras, entre as quais se destacam "História Geral", Tomo I, "Compêndio Elementar de Cronologia" e "Nossa Senhora de Guadalupe", editado em Pernambuco, em 1847, este último, o que mais nomeada lhe traz.

(. . .)

... a independência (do Brasil) não se processou sem alguns atropelos nas pessoas de alguns portugueses, principalmente os mais abastados, perpretados por uma minoria de brasileiros.

(. . .)

Naturalmente, estes acontecimentos geraram um grande descontentamente que uniu os portugueses à volta da personalidade de maior prestígio de Pernambuco: Bernardino Freire de Figueiredo Abreu e Castro, a quem solicitam que tome uma atitude firme e consequente.

Com base, pois, nos tristes acontecimentos de 26 e 27 de Junho de 1848, que acabamos de relatar, nasceu a célebre comunicação de 13 de Julho do mesmo ano, endereçada por Bernardino Freire ao Ministério e Secretaria do Estado dos Negócios da Marinha e Ultramar.

(. . .)

... informa o Ministério que tem a adesão de todos, no sentido de embarcarem para África, mal-grado a insalubridade daquelas terras e o insucesso que corou a ida de alguns "brasileiros", ao tempo de Sá da Bandeira.

(. . .)

O Governo Central, pelo Ministro José Joaquim Gomes de Castro, por Portaria de 26 de Outubro de 1848, dá plena satisfação às pretensões dos pernambucanos, que são devidamente informados da firme determinação das autoridades centrais de apoiar tão promissora iniciativa.

A iniciativa dos portugueses de Pernambuco resultou na ocupação do Sul de Angola, salvando-a talvez da anexação pura e simples pela Alemanha.

Daí que, mesmo que Bernardino Freire nada mais tivesse feito, bastaria este extraordinário cometimento para entrar, de direito na História de Angola e de Portugal.

[ Anterior ] [ Mapa da Província do Namibe ] [ Página Principal ] [ Próxima ]