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Já não é segredo para ninguém que em Moçâmedes ficará a indústria pesada angolana, a siderurgia,
a refinaria e o resto, que é muito.
Pelo porto do Saco do Giraúl, a poucos quilómetros, se escoa o minério de ferro da Cassinga. A
pesca continuará a ser importante na economia do distrito e de Angola, onde ocupa a quinta posição
nas exportações.
Mas não só.
Informações não confirmadas oficialmente dizem que no deserto do Iona se descobriu petróleo em
quantidades astronómicas, um dos maiores depósitos do mundo. Até que ponto isso será verdade?
Talvez aí, em Lisboa, onde se sabe primeiro do que em Angola das coisas realmente importantes,
seja possível sabê-lo.
Ao mesmo tempo, será talvez oportuno anunciar a plantação de muitos milhares de pés de vinha nos
arredores da cidade.
Disse, recentemente, o governador do distrito: "Mercê do extraordinário entusiasmo revelado
por todos os bons agricultores da região, é possível esperar que, dentro de cinco anos, Moçâmedes
produza por si só uva de mesa da melhor qualidade em quantidades que permitam satisfazer as
necessidades internas e encarar a possibilidade de exportação para a Europa, já que temos a
nosso favor o desfasamento em tempo de produção. É bom salientar que, pelos estudos feitos,
pelo mínimo dos mínimos presumíveis, são de esperar produções de mais de dez toneladas por
hectare."
E, é claro que não vamos ficar pelas uvas de mesa, quando houver possibilidade de fazer
excelente vinho.
E talvez interesse, também, dizer que algumas ruas de Moçâmedes são sombreadas por oliveiras.
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O Iona é a grande paz secular. Esmaga quem não o entende; integra quem, mesmo de fugida,
o compreende na sua agreste beleza, na sua aparente solidão.
O deserto é vida, na corrida das zebras, no retouçar dos gulungos, na passada larga do
avestruz, no trompetear rouco dos elefantes, mais para Sul, perto do rio ou dos seus
afluentes.
Viver o deserto é uma experiência que nos marca para o resto da vida. Ali, as pessoas não
podem fingir que são. A luz é diferente, o dia é diferente, a noite veste-se com um céu
diferente e limpo.
Salta-se de um espanto a outro, primeiro, e, logo depois, quando se compreende, vestimo-nos com
a mesma calma que nos rodeia.
É difícil contar as coisas como são a quem, por junto, de areia, tem as dunas da
Costa da Capacarica à Fonte da Telha; contar, num restinho de espaço que sobra de falar de um
distrito (tanta coisa ficou por dizer!) "aquilo" que se vê, se sente, mas não se transmite.
Fala-se tanto - e tão mal - de Angola, por aí, que o melhor será propor a quem pode uma viagem
até cá.
Para ver as coisas como elas são, para ver Moçâmedes, para ver o Iona e a Lucira e a Baía dos
Tigres.
E talvez depois, talvez então, compreenda muitas coisas.
A começar por esta: o Iona tem mais de um milhão e quinhentos mil hectares.
É só uma dimensão diferente. E só depois de a entender, será possível continuar...
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