Do Meu PO - Nº 1
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Em todos os tempos, foi-me difícil locomover-me na capital angolana… Com excepção dos principais
pontos turísticos, dos lugares próximos dos meus locais de residência, foi e continua sendo uma
cidade que pouco conheço…
São os registos possíveis, dentro das minhas limitações...
Na tentativa de ultrapassar essa dificuldade, determinei POs = postos de observação. Um
deles, o meu local de trabalho, localiza-se próximo do Parque da Independência, no primeiro
quilómetro da Estrada de Catete.
Sem descurar o trabalho, o ouvido atento a todos os acontecimentos... a digital ali por perto,
pronta para ser accionada a qualquer momento...
De todas as situações que registo, são minhas preferidas as do fim do dia...
Há tempos atrás, o meu amigo moçamedense Orlando Salvador, entendido em fotografia, alertou-me:
“um pôr-do-sol, por si só, não tem validade”.
De facto, como podemos garantir que o pôr-do-sol de que apresentamos uma fotografia é de
determinado lugar? Se nada há nesse registo fotográfico que garanta que assim é?...
Inicialmente, lamentava que as minhas fotografias de vários pores-do-sol tivessem como
componente parte do Parque da Independência.
Lembrei-me, então do ensinamento do Salvador…
É precisamente esse pormenor – o Parque da Independência - que nos garante que esses mesmos
pores-do-sol são de Luanda, Angola.
... E Deus,
naqueles quentes meses de Verão,
num exagero de inspiração,
pegou na sua paleta divina
e pintou o céu
... de azul cor do céu… azul brilhante… tão límpido!...
azul anil, azul forte, azul escuro… quase negro…
Por vezes
salpicou de nuvens brancas…
fez largos e brancos traços até ao horizonte…
… passou o pincel numa orgia
de tons alaranjados e encarnados…
encarnados-quase-negros…
púrpuras...
Deu-se ao luxo de desenhar carneirinhos
de um rosa-quase-salmão… clarinho!…
Permitiu, até, que, uma vez,
a Sua mão se tornasse quase visível...
Uma maravilha como só aqui jamais vi!!!
Apontando a máquina, emociono-me com tanta beleza, os meus olhos humedecem-se....
… desvio por instantes a atenção do motivo que foco, elevo os olhos, principalmente o coração,
para agradecer a Sua magnanimidade pela oportunidade de testemunhar o Seu poder criador.
Por ter a oportunidade de mostrá-lo.
Acima de tudo, por se tratar de Angola.
Nós angolanos vangloriamo-nos que não há pores-do-sol mais belos do que os de Angola. Por vezes,
tentando ser um pouco menos bairristas, alargamos o espaço para todo o continente africano...
O tom peremptório com que fazemos esta afirmação, não permite, não admite!, que qualquer outro
lugar do mundo se candidate a esta categoria! ;)
Para todos – os angolanos… os africanos em geral… e para que o resto do mundo aprecie e confirme
a nossa afirmação -, ofereço uma colecção... foi uma escolha difícil!... das pinturas de Deus
nos céus de Luanda, a capital de Angola.